Sete meses de corte e promessas adiadas marcam polémica na EN243 em Alcanena
Obras no troço entre Moitas Venda e Videla arrancaram apenas em Setembro, depois de meses de espera, protestos e sucessivos adiamentos. Durante meses, população de Minde e localidades vizinhas foi obrigada a utilizar alternativas sem condições para o aumento do trânsito, sobretudo de pesados.
A Estrada Nacional 243, uma das principais ligações entre Alcanena, Minde, Torres Novas e a região de Leiria, pode finalmente reabrir durante o mês de Outubro, mas o fim do corte não apaga uma polémica que se arrasta desde Fevereiro e que foi sendo alimentada por atrasos, promessas adiadas e pelo desgaste das populações obrigadas a recorrer a percursos alternativos. A estrada ficou interrompida entre Moitas Venda e Videla depois de um deslizamento de terras ter provocado o colapso de parte da plataforma rodoviária durante as intempéries do início do ano. As obras de reconstrução só começaram a 11 de Setembro, mais de sete meses depois.
O presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, considera excessivo o tempo necessário para colocar a intervenção no terreno, recordando que houve indicações de que os trabalhos poderiam arrancar em Junho, depois em Agosto, antes de avançarem efectivamente em Setembro. A demora foi sendo acompanhada por O MIRANTE. Em Maio, moradores de Minde denunciavam os transtornos provocados pelo encerramento do principal acesso à vila a partir da EN243 e da A23, bem como a falta de informação clara sobre uma solução. O trânsito foi canalizado para uma estrada municipal junto a Casais Robustos que não estava preparada para tamanho aumento de circulação, sobretudo de veículos pesados. Moradores alertavam para a reduzida largura da via, dificuldades no cruzamento de camiões, degradação acelerada do piso e problemas de segurança.
A situação tornou-se ainda mais difícil de explicar à população quando, em Agosto, a EN243 passou a ser a excepção no mapa das estradas nacionais afectadas pelas tempestades no distrito de Santarém. Das 57 interrupções registadas, 56 já tinham sido resolvidas, permanecendo fechado apenas o troço de Alcanena, cuja reabertura era então apontada para o último trimestre do ano. A Infraestruturas de Portugal previa nessa altura que a empreitada arrancasse durante Agosto, o que também não aconteceu. Só em Setembro as máquinas chegaram ao terreno. A intervenção entre os quilómetros 28,704 e 31,325 representa um investimento de cerca de 150 mil euros e inclui reconstrução da via, estabilização dos taludes, restabelecimento da drenagem, reposição de guardas de segurança e pintura das marcas rodoviárias.
A reabertura no concelho de Alcanena não resolve, contudo, toda a EN243. Do lado de Porto de Mós permanece outro troço encerrado, na zona de Alcaria, também devido ao colapso da plataforma rodoviária. A intervenção, avaliada em mais de dois milhões de euros, dependeu inclusivamente de expropriações declaradas urgentes. Ou seja, Outubro pode devolver a Alcanena uma estrada há muito reclamada, mas a normalização completa da ligação entre os dois concelhos ainda terá de esperar.


