Sociedade | 27-09-2026 11:30
Incêndio em zona de eucaliptal na Chamusca reacende debate sobre a floresta
Incêndio deflagrou numa zona de mato e eucaliptal na Carregueira e caminhava, na manhã de domingo, para a fase de vigilância. Ocorrência surge numa altura em que O MIRANTE tem colocado no centro do debate a eucaliptização do território, o abandono da floresta e a falta de gestão que aumentam a vulnerabilidade aos incêndios.
Um incêndio que deflagrou numa zona de mato e eucaliptal na Carregueira, concelho da Chamusca, mobilizou durante a madrugada de domingo, 27 de Setembro, mais de oito dezenas de operacionais. O fogo encontrava-se de manhã em conclusão e “prestes a entrar na fase de vigilância”, segundo informação do Comando Sub-Regional da Lezíria do Tejo da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil. Pelas 05h30 permaneciam no terreno 84 operacionais, apoiados por 29 veículos. O incêndio começou na noite de sábado numa área onde o eucalipto faz parte da paisagem florestal, trazendo novamente para a actualidade uma discussão que O MIRANTE tem aprofundado nos últimos meses: o peso desta espécie na floresta portuguesa e, sobretudo, a forma como o território é gerido.
O MIRANTE publicou esta semana um trabalho alargado sobre o tema, depois de percorrer várias regiões do país e ouvir investigadores, bombeiros, autarcas, ambientalistas e responsáveis do sector florestal. Uma das conclusões que atravessa os diferentes testemunhos é que o problema dos incêndios não pode ser explicado apenas pela presença do eucalipto. A fragmentação da propriedade, o abandono rural, a acumulação de combustível e a falta de ordenamento são factores repetidamente apontados como decisivos. As posições sobre a eucaliptização estão, contudo, longe de ser consensuais. Miguel Jerónimo, técnico do GEOTA ouvido por O MIRANTE, considera que continuar a expandir o eucalipto é um erro com consequências futuras, enquanto Nuno Morgado, comandante dos Bombeiros Municipais de Sardoal, distingue a espécie da monocultura e aponta sobretudo o excesso, o abandono e a falta de gestão. Já Sara Pereira, engenheira florestal da BIOND, defende que o problema central não é a espécie, mas a ausência de gestão do território e de faixas de combustível.
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