Sociedade | 28-09-2026 10:00

Falta de médicos mantém encerramentos na maternidade de Abrantes

Falta de médicos mantém encerramentos na maternidade de Abrantes
Cirurgias ortopédicas estão a chegar a mais utentes do Médio Tejo e da Lezíria - foto arquivo O MIRANTE

Maternidade do Hospital de Abrantes esteve encerrada 50 dias em 2025 e outros 32 até meados de Setembro deste ano. Serviço tem quatro obstetras no quadro, todos com mais de 60 anos, mas apenas três fazem urgência. ULS Médio Tejo reconhece que actual modelo não é o desejável.

A falta de médicos especialistas em ginecologia e obstetrícia continua a provocar encerramentos temporários da maternidade do Hospital de Abrantes, problema que se arrasta desde 2022 e para o qual ainda não existe uma solução definitiva. A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo admite que a estabilização do serviço depende da contratação e fixação de novos profissionais. A informação foi transmitida pela ULS à Câmara de Abrantes, na sequência de questões colocadas pelo vereador Nuno Serras, do Chega. Segundo o presidente do município, Manuel Valamatos, as dificuldades começaram a acentuar-se em meados de 2022, sobretudo devido à passagem à reforma de vários especialistas.
A maternidade esteve encerrada 50 dias durante 2025 e outros 32 entre Janeiro e meados de Setembro de 2026. Só entre Julho e Setembro registaram-se 23 dias de encerramento, situação agravada pelo período de férias. Quando Abrantes não reúne condições para manter a urgência obstétrica aberta, a resposta é articulada com as maternidades de Santarém e Caldas da Rainha. As grávidas que chegam ao hospital são triadas e atendidas na urgência geral, estando disponíveis duas ambulâncias, 24 horas por dia, para eventuais transferências.

Quatro obstetras no quadro, três fazem urgência

O principal problema está na escassez de especialistas. O serviço dispõe actualmente de quatro obstetras do quadro, todos com mais de 60 anos, mas apenas três asseguram urgências. As escalas são completadas por cerca de 12 médicos prestadores de serviços, dependendo da disponibilidade desses profissionais. Apesar dos constrangimentos, em 2025 realizaram-se 823 partos em Abrantes, mais 68 do que no ano anterior. A ULS relaciona o aumento com a maior procura e com a recepção de grávidas provenientes de outras regiões quando outras maternidades estavam encerradas. A ULS Médio Tejo afirma estar a tentar captar médicos através de remunerações competitivas, formação e parcerias com os municípios, incluindo medidas relacionadas com creches, integração social e benefícios fiscais. Reconhece, contudo, que o actual modelo está longe do desejável e que a normalização da maternidade continuará dependente da capacidade para contratar e fixar especialistas na região.

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