Sociedade | 28-09-2026 14:57

Moradores juntaram-se para apanhar lixo nas ruas da Póvoa de Sta. Iria

Moradores juntaram-se para apanhar lixo nas ruas da Póvoa de Sta. Iria

Um grupo de moradores da Póvoa de Santa Iria juntou-se no sábado para limpar as ruas e chamar a atenção para a quantidade de lixo que se acumula no espaço público. A iniciativa, promovida por João Cavaleiro, quer também incentivar os vizinhos a assumirem maior responsabilidade pela zona onde vivem.

Fraldas sujas, garrafas de cerveja, maços vazios de tabaco, beatas, sacos cheios de lixo mandados da janela foram encontrados e apanhados por um grupo de moradores da Póvoa de Santa Iria que se juntou no sábado de manhã, dia 26 de Setembro, para apanhar lixo. Junta-se a esta lista uma panela, um retrovisor, peças de automóveis, cuecas, meias e um ambientador.
A iniciativa partiu de João Cavaleiro, morador na Rua Tiago Silva Santos e residente na Póvoa de Santa Iria há dez anos, que decidiu voltar a organizar uma acção de limpeza depois de uma primeira experiência realizada no ano passado. Na altura, a iniciativa não foi publicitada e acabou por ter pouca adesão. Desta vez, João Cavaleiro divulgou a acção nas redes sociais e colocou informação nas portas de 27 prédios da zona, abrangendo várias ruas e pracetas e apareceram entre dez a 12 pessoas para a acção.
“Até me atrapalha um bocado andar com a minha filha na rua e ver tanto lixo por todo o lado”, explica o morador, que diz ter começado a pensar na iniciativa depois de constatar que a acumulação de resíduos nas ruas estava a ser encarada com demasiada naturalidade. “Ao fim e ao cabo, nós acabamos por normalizar esta lixeira a céu aberto”, afirma o residente, esclarecendo que a iniciativa não tem qualquer cariz político ou partidário.
“A única coisa que nós pretendemos é ver o espaço urbano que rodeia as nossas casas mais limpo, mais asseado, mais seguro, tanto para nós como para as crianças”, explica.
Outro dos objectivos é contrariar a ideia de que a limpeza do espaço público é exclusivamente responsabilidade das autarquias. João Cavaleiro diz ter recebido nas redes sociais respostas de pessoas que afirmavam não querer participar porque “a junta é que limpa”, mas não é possível ter alguém atrás de cada pessoa que deita lixo para o chão.
O morador considera que o problema não está apenas na quantidade de lixo existente, mas também numa crescente desresponsabilização colectiva. Defende que iniciativas como esta podem ajudar a criar mudanças de comportamentos e que o mesmo princípio pode ser aplicado a outros problemas, como os dejectos de animais, uma problema crónico na cidade.

Notícia para ler na íntegra numa edição impressa de O MIRANTE

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