Um domingo de fé, motores e negócio cheio em Fátima
Milhares de motards voltaram a levar a Fátima um mar de gente. O MIRANTE acompanhou uma comitiva que saiu da Chamusca e encontrou, pelo caminho, cafés sem mãos a medir e, junto ao Santuário, lojas de artigos religiosos com dificuldade em responder à procura.
Nas estradas ouviam-se motores, nos cafés faltavam mãos para servir e em Fátima os terços e pulseiras desapareciam das prateleiras. A Bênção dos Capacetes voltou a levar dezenas de milhares de motards ao Santuário de Fátima e O MIRANTE também se fez à estrada numa comitiva que partiu da Chamusca. A viagem começou cedo, por volta das 10h00, e bastaram poucos quilómetros para perceber que 20 de Setembro não era um domingo igual aos outros. Nas estradas em direcção a Fátima cruzavam-se motos de todas as cilindradas, grupos com coletes identificativos e motociclistas que seguiam sozinhos, todos com o mesmo destino. O som dos motores ia anunciando, quilómetros antes, que a Bênção dos Capacetes estava de regresso.
Fizemos duas paragens pelo caminho. Nos cafés, o cenário repetia-se. Balcões cheios, clientes a entrar e a sair e funcionárias quase sem tempo para levantar os olhos. “Já não temos quase nada para vender. Não temos mãos a medir. Vêm todos de uma vez”, dizia uma comerciante entre sorrisos, enquanto tentava dar resposta aos pedidos. Mais à frente, no concelho de Torres Novas, nova paragem e a mesma agitação. “Não esperava um domingo com tanto movimento. Não sabia desta concentração. É óptimo para o negócio”, confessava a responsável por outro estabelecimento de restauração, surpreendida com uma manhã que rapidamente fugiu à rotina.
Em Fátima vive-se quase uma realidade paralela. Milhares de motos ocupam os acessos e a presença dos motards sente-se muito para lá do recinto do Santuário. Nas dezenas de lojas de artigos religiosos há filas e movimento constante. Entre as compras mais procuradas estão terços para colocar nos casacos usados nas viagens e pulseiras alusivas à concentração ou a São Rafael, padroeiro dos motards. “Já não tenho praticamente stock nenhum. Sabemos que é um dia muito concorrido. Os motards são um público muito agradável e muito educado”, conta um lojista instalado junto a uma das entradas do Santuário.
Por algumas horas, Fátima trocou o silêncio habitual pelo roncar dos motores. Uma multidão unida pelas motos, pela estrada e por uma tradição que continua a transformar Setembro num dos meses mais movimentados do ano na cidade Santuário.


