Torres Novas adjudica recolha de resíduos à SUMA e aponta falhas ao serviço
Câmara de Torres Novas adjudicou por cerca de quatro milhões de euros à SUMA um novo contrato de três anos para recolha de resíduos e limpeza urbana. Executivo reconhece falhas no serviço actualmente prestado pela empresa, mas diz estar obrigado a respeitar o resultado do concurso público.
A Câmara de Torres Novas adjudicou à SUMA – Serviços Urbanos e Meio Ambiente um novo contrato para recolha de resíduos e limpeza urbana, no valor de 3.999.201 euros e com duração de 36 meses. A decisão foi aprovada por maioria, com as abstenções dos três vereadores do PSD e do independente José Carola, eleito pelo Chega.
A adjudicação surge apesar das críticas ao serviço actualmente prestado pela empresa. “Eu próprio tenho críticas a fazer ao serviço prestado até agora”, reconheceu o presidente do município, José Trincão Marques (PS), garantindo que a execução do novo contrato será acompanhada “de perto” e com “uma fiscalização muito apertada”.
O concurso público internacional teve três concorrentes e o único critério de adjudicação era o preço mais baixo. A Rota do Lixo foi excluída pelo júri por razões formais, ficando a concurso a Ecoambiente e a SUMA, tendo esta última apresentado a proposta com valor mais baixo. O novo contrato deverá entrar em vigor em Janeiro de 2027, depois da fiscalização prévia do Tribunal de Contas, coincidindo com o fim do vínculo actualmente em vigor.
“Vamos dar-lhe o benefício da dúvida”, afirmou José Trincão Marques, defendendo que, se houver incumprimento, o município terá de obrigar a empresa a cumprir as condições contratadas. “Interessa-me é que cumpra o serviço”, acrescentou.
José Carola justificou a abstenção com o desempenho da empresa, afirmando que a SUMA “não tem feito o serviço a 100%”. O vereador referiu casos de sofás, arcas, frigoríficos e outros monos que permanecem durante várias semanas junto aos contentores, considerando que ficaria “mal com a consciência” se votasse favoravelmente a adjudicação.
O presidente do município reconheceu o descontentamento com o histórico da empresa, mas sublinhou que o município tem de respeitar o resultado do concurso e assegurar a continuidade de um serviço essencial.
A autarquia tinha decidido não renovar directamente o contrato em vigor e avançar para um novo concurso, com um preço base de 4,2 milhões de euros. Na altura, José Trincão Marques admitiu que o serviço prestado “não é o ideal” e que havia “muito a melhorar”, defendendo que o novo procedimento permitiria abrir a concorrência a outras empresas. A relação contratual com a SUMA remonta a 2016, quando a Câmara de Torres Novas adjudicou a prestação destes serviços por sete anos, com possibilidade de prorrogação por mais três.


