Maus cheiros das pecuárias voltam a gerar protestos na Póvoa da Isenta
O presidente da Junta de Freguesia da Póvoa da Isenta, no concelho de Santarém, deu eco ao descontentamento da população relativamente aos impactos ambientais das suiniculturas existentes no seu território. “A população está a começar a ficar um bocadinho farta”, disse o autarca.
Os maus cheiros causados pelas explorações pecuárias na freguesia da Póvoa da Isenta, no concelho de Santarém, voltaram a gerar protestos. Desta vez foi o próprio presidente da junta, Fernando Vítor, que levou o assunto à última sessão da Assembleia Municipal de Santarém para dar voz ao descontentamento da população. “Costumo dizer na brincadeira que neste momento temos umas quinze piscinas e todas elas com um cheiro que não se suporta”, afirmou autarca referindo-se às lagoas com esgotos existentes nas suiniculturas. “Neste momento temos uma pecuária de 400 em 400 metros dentro da freguesia”, reforçou o autarca eleito pelo PS, dizendo que a situação actual “não é viável em termos de saúde pública”.
Apontando como “mais preocupante” o caso de uma pecuária existente na localidade da Póvoa da Isenta, o autarca referiu que já falaram com os proprietários no sentido de minimizarem os impactos ambientais da actividade, mas sem grandes resultados. “As fermentações das lagoas com a libertação de gases é uma constante e a população está a começar a ficar um bocadinho farta”, vincou.
Fernando Vítor pediu mais fiscalização sobre essas explorações, reconhecendo que, nestes casos, o município tem um raio de acção limitado e pouco pode fazer a não ser exercer pressão junto das entidades competentes para fiscalizar o funcionamento das unidades. “Deixo aqui esse apelo e se alguém quiser lá ir ver são todos bem vindos, para sentir aquele cheiro, que neste momento está insuportável”, concluiu.
O presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), comungou das preocupações e reiterou que o município é alheio a esse “problema grave”, tendo apenas responsabilidade pelo licenciamento das construções. Mas comprometeu-se a, conjuntamente com a junta de freguesia, tentar mobilizar as entidades competentes para fazerem a devida fiscalização, no sentido de que essa “situação danosa” não se prolongue.


