Sociedade | 03-10-2026 21:00

Cercipóvoa renovou lar e sonha ampliar instalações para acolher mais utentes

Cercipóvoa renovou lar e sonha ampliar instalações para acolher mais utentes
José Gonçalves (à direita), presidente da Cercipóvoa, mostrou aos convidados as obras realizadas no lar dos utentes - foto O MIRANTE

Instituição da Póvoa de Santa Iria, que é uma das maiores da região no apoio a pessoas com deficiência, realizou obras de 340 mil euros no lar onde vivem trinta pessoas. Se houver fundos do programa PARES pode vir a conseguir ampliar o espaço.

Trinta utentes que vivem no lar residencial da Cercipóvoa, instituição da Póvoa de Santa Iria que apoia pessoas com deficiência, passaram a ter melhores condições com a conclusão das obras de requalificação e melhoria do espaço, inauguradas no dia 23 de Setembro.
O lar dos utentes da Cercipóvoa há muito precisava de trabalhos de melhoria que foram agora realizados graças à boa situação financeira da instituição, que desde 2020 está num rumo de recuperação. Os trabalhos transformaram por completo o espaço e a direcção, liderada por José Gonçalves, já sonha vir a ampliar o espaço, abrindo vagas para outros 30 utentes.
“Com esta reabilitação o lar ficou mais moderno e funcional, optimizámos alguns espaços e os quartos que eram pequenos foram recuperados para ganharmos mais algum espaço”, explica a O MIRANTE José Gonçalves. Se a instituição vier a conseguir obter fundos do programa PARES em 2028 ou 2029, a capacidade do lar poderá vir a ser aumentada, revela. “A instituição está tranquila financeiramente. A dívida antiga termina uma parte em 2028 e a outra em 2029. Depois a Cercipóvoa fica livre”, refere.
Tal como o nosso jornal já tinha dado nota, a instituição saiu de uma situação de quase falência para lucros mensais que lhe têm permitido amortizar dívida e regularizar a sua situação com os fornecedores e trabalhadores. Isto depois de antigas direcções terem decidido construir instalações na Póvoa de Santa Iria sem que a instituição tivesse capacidade financeira para as pagar.
José Gonçalves tomou posse como presidente da associação em Setembro de 2015 e encontrou um passivo de dois milhões e 74 mil euros, incluindo dívidas a fornecedores, bancos, Estado e trabalhadores. A dívida foi entretanto reduzida e têm registado resultados positivos de exploração a rondar os 200 mil euros por ano.
José Gonçalves está no fim do terceiro mandato, que termina em Dezembro de 2026. Ao nosso jornal, diz que está disponível para continuar no cargo. “O governo alterou a legislação permitindo que de três mandatos o limite passe para cinco, mediante autorização da assembleia-geral. Vamos ver, ainda há coisas que gostava de fazer na instituição antes de sair”, confessou. Entre elas está a recuperação das instalações do antigo centro de actividades ocupacionais.

Cercipóvoa tem um percurso de grande mérito
A conclusão das obras foi assinalada com o descerramento de uma placa que contou com a presença do presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, bem como da ex-autarca Maria da Luz Rosinha. O presidente do município lembrou a “grande generosidade” dos dirigentes para com a comunidade. “Estas instituições são um produto do 25 de Abril. Antes disso a deficiência estava escondida, as famílias tinham vergonha da desgraça que lhes tinha acontecido e infelizmente ainda hoje isso acontece. Há situações em que as condições de vida são absolutamente lamentáveis. Mas este caminho que fizeram, de cuidar destas crianças e adultos, é um caminho de grande mérito e a Cercipóvoa é um grande exemplo disso”, destacou. A Cercipóvoa foi personalidade do ano de O MIRANTE em 2020.

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