Sociedade | 04-10-2026 12:00

Arruada no Entroncamento mantém pressão contra unidade de biometano prevista para Árgea

Arruada no Entroncamento mantém pressão contra unidade de biometano prevista para Árgea
Iniciativa começou e terminou no Largo da Câmara Municipal do Entroncamento e percorreu várias ruas da cidade. - foto O MIRANTE

Comissões de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo voltaram à rua contra a localização do projecto, numa acção que juntou moradores e autarcas. Contestação deverá prosseguir até existir uma decisão definitiva sobre a unidade prevista para Árgea.

As Comissões de Utentes dos Serviços Públicos da Região do Médio Tejo voltaram a mobilizar a população contra a instalação de uma unidade de produção de biometano em Árgea, no concelho de Torres Novas. Uma arruada realizada a 18 de Setembro percorreu as ruas do Entroncamento sob o lema “Árgea não é local para unidade de biometano” e contou com a presença de moradores e autarcas. A iniciativa começou e terminou no Largo da Câmara Municipal do Entroncamento, tendo marcado presença o presidente da autarquia, Nelson Cunha, e o presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, Luís Moita. A contestação prende-se sobretudo com a proximidade da unidade às zonas habitacionais e com os potenciais impactos que os opositores associam ao projecto, entre os quais o aumento do tráfego de pesados, o transporte diário de resíduos, o consumo de água, os odores e eventuais consequências para a qualidade do ar, recursos hídricos e qualidade de vida.
Em declarações a O MIRANTE, Manuel José Soares, porta-voz das Comissões de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo, reiterou que uma instalação desta natureza deve ficar “longe das zonas habitacionais”, afirmou o residente em Torres Novas, defendendo que a escolha de uma localização deve obedecer a critérios técnicos que salvaguardem a população e o ambiente. Manuel José Soares garantiu que o movimento pretende continuar a mobilizar os cidadãos enquanto não existir uma decisão definitiva.
Entre os participantes estava Isabel Alves, que vive em Árgea há 61 anos e aponta a saúde e o património como algumas das suas principais preocupações. “Nós não somos contra estas novas tecnologias, estamos contra a localização”, afirmou, acrescentando que a casa da sogra se encontra a cerca de 200 metros do local previsto para a unidade. A moradora criticou também a forma como o processo chegou ao conhecimento da população, considerando insuficiente a divulgação feita junto dos habitantes. Isabel Alves garante que continuará a participar nas iniciativas de contestação por considerar que existe uma “grande revolta” entre os habitantes da aldeia. Também Rosa Maria, residente no Entroncamento, participou na arruada em solidariedade com a população de Árgea. Considera que “não tem lógica” instalar uma unidade desta dimensão a poucas centenas de metros de habitações e acredita que a mobilização popular ainda pode influenciar o desfecho do processo. Para a participante, a presença nas acções de protesto é uma forma de demonstrar que “as pessoas não estão dispostas a suportar todas as consequências” que receiam poder resultar da instalação da unidade.
O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, saudou a mobilização e voltou a manifestar a oposição do município ao projecto. “Estamos irredutivelmente contra este projecto da Central de Biometano”, afirmou, defendendo que “na economia não vale tudo” e que o ambiente e o bem-estar das populações devem estar em primeiro lugar. A arruada dá continuidade a vários meses de contestação à localização da unidade prevista para Árgea. O movimento já promoveu reuniões públicas, vigílias e contactos com diversas entidades, além da participação no processo de consulta pública e da dinamização de um abaixo-assinado que, segundo os promotores, ultrapassou as seis mil assinaturas.

Nova petição quer unidades a dois quilómetros das habitações
Durante a arruada foi também divulgada uma nova petição pública que pretende levar à Assembleia da República uma alteração das regras aplicáveis à instalação de unidades industriais de produção de biogás e biometano. Entre as medidas propostas está a criação de uma distância mínima de dois mil metros entre novas unidades de dimensão industrial e zonas residenciais, aglomerados rurais, habitações existentes, escolas, unidades de saúde e estruturas de apoio social. Os subscritores defendem ainda regras mais exigentes para o controlo de odores e emissões, circulação de veículos pesados e protecção dos recursos hídricos, considerando necessária a definição de critérios nacionais claros para a localização deste tipo de projectos.

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