Sociedade | 05-10-2026
Bombeiros Torrejanos celebram 95 anos com alerta para falta de voluntários e meios nas corporações
Comandante dos Bombeiros Torrejanos aproveitou a sessão solene dos 95 anos da associação humanitária para deixar alertas sobre a falta de voluntários, viaturas com mais de 40 anos e a necessidade de criar uma quarta equipa de intervenção permanente. Liga dos Bombeiros Portugueses defendeu mais investimento e valorização de quem garante o socorro.
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Torrejanos chegou aos 95 anos com motivos para celebrar mas também com preocupações que ameaçam o futuro do socorro. Na sessão solene realizada esta segunda-feira, 5 de Outubro, no Teatro Virgínia, o comandante José Carlos Pereira deixou um dos alertas mais fortes da cerimónia: há cada vez menos candidatos a vestir a farda e, se a tendência não for invertida, alguns corpos de bombeiros podem vir a não ter voluntários suficientes para assegurar os serviços mínimos. “Ser bombeiro já não é atractivo, nem faz parte das perspectivas de futuro dos nossos jovens”, afirmou, lembrando que este ano apenas três estagiários chegam a bombeiros e que a nova escola de recrutas conta, para já, com oito inscritos. “No curto espaço de tempo vamos ter certamente corpos de bombeiros que não vão ter elementos para assegurar os serviços mínimos com os seus voluntários”, avisou.
Em representação da Liga dos Bombeiros Portugueses, Guilherme Isidro apontou o recrutamento e retenção de voluntários, a sustentabilidade financeira das associações e a valorização dos bombeiros como alguns dos problemas que continuam por resolver. O comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil do Médio Tejo, David Lobato, destacou, por seu lado, os elevados níveis de prontidão exigidos aos corpos de bombeiros e a importância da articulação operacional, manifestando “total confiança” na capacidade de resposta dos Bombeiros Torrejanos.
O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Torrejanos, Gonçalo Pereira, preferiu colocar o foco nos homens e mulheres que dão corpo à instituição e nas famílias que suportam, muitas vezes longe dos holofotes, as exigências do serviço. “Quando um bombeiro sai de casa, alguém fica”, afirmou, lembrando os aniversários, Natais, jantares e outros momentos familiares sacrificados por quem responde a uma emergência.
O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, centrou o discurso no reconhecimento de quem escolhe colocar o seu tempo e segurança ao serviço dos outros. “Ser bombeiro voluntário é uma das mais extraordinárias expressões de cidadania”, afirmou, acrescentando que voluntariado “significa responsabilidade assumida livremente. Significa escolher servir. Significa dizer presente”. O autarca destacou também o apoio financeiro do município àquela associação humanitária, que representa uma transferência anual superior a 436 mil euros, incluindo 20 mil euros em transferências mensais e verbas destinadas às equipas de intervenção permanente, DECIR e outros apoios.
*Notícia desenvolvida na próxima edição semanal de O MIRANTE.
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