Sociedade | 05-10-2026 15:00

Ponte da Chamusca: o caos deixou de ser excepção e passou a fazer parte da rotina

Ponte da Chamusca: o caos deixou de ser excepção e passou a fazer parte da rotina
Filas para usar a ponte da Chamusca continuam a agravar-se - foto DR

A Ponte da Chamusca voltou a transformar-se num calvário para centenas de condutores, com filas e esperas superiores a meia hora. Um cenário que se repete quase diariamente e que mantém milhares de pessoas reféns de uma travessia saturada, enquanto a prometida solução definitiva continua por concretizar.

Filas, semáforos, esperas, desvios e até veículos de emergência presos no trânsito. A Ponte da Chamusca deixou há muito de ser apenas uma ligação difícil entre as duas margens do Tejo e transformou-se num problema diário que condiciona trabalhadores, empresas, famílias e serviços de socorro. Na quarta-feira, 23 de Setembro, voltou a repetir-se o cenário que milhares de condutores conhecem demasiado bem: mais de meia hora de espera para atravessar a Ponte João Joaquim Isidro dos Reis, entre a Chamusca e a Golegã. Uma deslocação de poucos minutos voltou a exigir paciência e margem para atrasos, numa travessia onde a circulação alternada concentra filas nos acessos.
É apenas mais um episódio de uma longa sequência acompanhada por O MIRANTE. Em Agosto, os presidentes das câmaras da Chamusca e Golegã levaram ao ministro das Infraestruturas um vídeo de cinco minutos com imagens dos bloqueios diários, procurando mostrar a dimensão de um problema que consideram insustentável. Nessa mesma edição recordámos também que Luís Montenegro tinha estado no local em 2023, quando apontou a nova ponte e a conclusão do IC3 como prioridades.
Em Julho, o encerramento da travessia a partir das 19h00 voltou a penalizar quem regressava a casa, obrigando a desvios de dezenas de quilómetros. Em Maio, o descontentamento chegou à rua com um buzinão promovido por movimentos de utentes e sindicatos, que exigiram o avanço da nova travessia e da ligação entre a A13 e a A23. Dias antes, O MIRANTE tinha resumido numa pergunta o sentimento de quem ali passa: “Até quando?”. A resposta continua por dar e o problema deixou de ser apenas perda de tempo quando um veículo dos bombeiros, em marcha de urgência, ficou retido na ponte, expondo os riscos dos congestionamentos para o socorro às populações. Para quem a atravessa diariamente, o caos já não é uma ocorrência excepcional, mas sim uma rotina que se mede em muitos minutos perdidos e quilómetros de filas.

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