Doente epiléptico desaparecido há seis dias depois de ter saído do Hospital de Vila Franca de Xira
Igor Crispim, residente em Alcoentre, está desaparecido desde que saiu do Hospital de Vila Franca de Xira, onde esteve internado após vários ataques de epilepsia. O utente terá assinado um termo de responsabilidade para abandonar a unidade hospitalar, apesar de existirem dúvidas sobre a sua capacidade para tomar essa decisão.
Igor Crispim, morador em Alcoentre, concelho de Azambuja, continua em paradeiro desconhecido depois de ter saído do Hospital de Vila Franca de Xira, onde se encontrava internado desde quarta-feira, 30 de Setembro, na sequência de vários episódios de epilepsia que o deixaram inconsciente. Desde que abandonou a unidade hospitalar, na sexta-feira, 2 de Outubro, após ter assinado um termo de responsabilidade, nunca mais foi visto em casa ou na freguesia onde reside.
A situação está a preocupar a vizinhança e a Junta de Freguesia de Alcoentre, que, tal como O MIRANTE avançou no domingo, 5 de Outubro, lançou um apelo público para tentar localizar o morador. Em declarações ao nosso jornal, o presidente da junta, André Silva, explicou que foi o próprio a assinar a participação de desaparecimento apresentada no posto da GNR de Aveiras de Cima.
Segundo o autarca, a junta teve conhecimento de que Igor Crispim estava desaparecido depois de um vizinho se ter deslocado ao hospital para o tentar visitar e ter sido informado de que já tinha saído. Igor Crispim sofre de epilepsia e tinha sido transportado para o hospital depois de ter ficado inconsciente na sequência de vários ataques epilépticos.
André Silva afirma que Igor Crispim recorria com frequência ao hospital devido às crises, muitas vezes contrariado, acabando por ser transportado quando perdia os sentidos. O presidente da junta não esconde, por isso, a surpresa por lhe ter sido permitido abandonar a unidade hospitalar. “Espanta-me o hospital, tendo conhecimento, o deixar assinar papéis para ele ter alta”, afirma, acrescentando que segundo sabe “o hospital tem informação de que ele não está nas plenas faculdades para tomar essa decisão”.
O Hospital de Vila Franca de Xira confirma ao nosso jornal que o utente mencionado “foi atendido no Serviço de Urgência, no qual realizou exames e tratamentos adequados à sua situação clínica”, e que “teve alta, mediante a assinatura de termo de responsabilidade, nos termos da lei”. Não esclarece, contudo, se tinha conhecimento da sua situação social e de poder não estar em pleno uso das suas faculdades mentais.
O desaparecido vive sozinho desde a morte dos pais e tem um filho, com quem não reside. De acordo com o presidente da junta, é uma pessoa em situação de carência económica e social, estando referenciado e a ser acompanhado pelos serviços de acção social da Câmara de Azambuja. Não trabalha e estava actualmente envolvido num processo de integração promovido pela Junta de Freguesia de Alcoentre em colaboração com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).
A preocupação com o desaparecimento é agravada pelo facto de Igor Crispim não ter telemóvel e, segundo André Silva, também não deverá ter dinheiro consigo. O presidente da junta alerta ainda para o facto de se tratar de uma pessoa que toma medicação regularmente. “Pode ter um ataque, ficar inconsciente e ninguém dar por isso”, vinca o autarca, sublinhando os riscos acrescidos associados ao seu estado de saúde e à dificuldade em localizá-lo.
O MIRANTE questionou o vereador da Acção Social da Câmara de Azambuja, António Torrão, sobre o acompanhamento deste caso, mas ao momento desta publicação não foi possível obtermos mais informações.


