Cuidados continuados da Quinta das Rosas chegam a metade da capacidade em poucos dias
Unidade de Cuidados Continuados Integrados no Complexo Social e de Saúde da Quinta das Rosas, em Azambuja, aproxima-se de metade da capacidade poucas semanas depois de ter recebido o primeiro utente. Presidente da instituição elogia a resposta da equipa, mas critica a pressão exercida pelo sistema central e alerta para a elevada complexidade clínica dos doentes encaminhados.
A Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) do Complexo Social e de Saúde da Quinta das Rosas está próxima de metade da sua capacidade, poucas semanas depois de ter começado a receber utentes. A resposta da Cerci Flor da Vida da Vida dispõe de 41 camas e recebeu o primeiro doente a 23 de Setembro, num arranque muito mais rápido e exigente do que o inicialmente previsto, nota o presidente da Cerci Flor da Vida.
Para José Manuel Franco o principal problema não está apenas no número de admissões, mas sobretudo no perfil dos doentes referenciados pela rede, muitos deles com elevada complexidade clínica. “Sabemos que o arranque de qualquer infraestrutura carece de uma fase inicial de estabilização, uma rampa de lançamento que permita calibrar dinâmicas e consolidar rotinas de equipa. No entanto, o sistema central parece ter dificuldade em processar esta necessidade”, afirma.
A unidade é de Longa Duração e Manutenção, mas José Manuel Franco considera que a escassez de respostas em cuidados paliativos está a exercer pressão sobre toda a rede e a fazer chegar à Quinta das Rosas casos particularmente exigentes. “Embora a indicação oficial seja de que a colocação de doentes obedeça a critérios aleatórios, os resultados práticos revelam uma realidade diferente”, critica.
Apesar da pressão, o presidente da Cerci destaca a resposta dos profissionais num arranque feito praticamente sem margem para adaptação. “É profundamente compensador ver que, apesar da exigência extrema do momento, os nossos utentes encontram aqui óptimas condições de apoio clínico, técnico e, acima de tudo, de humanização e bem-estar. A resiliência demonstra-se no terreno, todos os dias”, sublinha, acrescentando que é “urgente encontrar um equilíbrio entre a pressão imediata do sistema de saúde e a sustentabilidade das entidades prestadoras”.
O Complexo Social e de Saúde da Quinta das Rosas foi inaugurado no final de Agosto, num investimento superior a nove milhões de euros, e integra várias respostas sociais e de saúde.


