Sociedade | 08-10-2026 12:00

Moradores juntaram-se para apanhar lixo nas ruas da Póvoa de Santa Iria

Moradores juntaram-se para apanhar lixo nas ruas da Póvoa de Santa Iria
Moradores da Póvoa de Santa Iria estão cansados de ver o espaço público sujo e juntaram-se para apanhar lixo - foto O MIRANTE

Um grupo de moradores da Póvoa de Santa Iria juntou-se para limpar as ruas e chamar a atenção para a quantidade de lixo que se acumula no espaço público. A iniciativa, promovida por João Cavaleiro, quer também incentivar os vizinhos a assumirem maior responsabilidade pela zona onde vivem.

Fraldas sujas, garrafas de cerveja, maços vazios de tabaco, beatas e sacos cheios de lixo mandados da janela foram encontrados e apanhados por um grupo de moradores da Póvoa de Santa Iria que se juntou na manhã de sábado, 26 de Setembro, para apanhar lixo. Junta-se a esta lista uma panela, um retrovisor, peças de automóveis, cuecas, meias e um ambientador.
A iniciativa partiu de João Cavaleiro, morador na Rua Tiago Silva Santos e residente na Póvoa de Santa Iria há dez anos, que decidiu voltar a organizar uma acção de limpeza depois de uma primeira experiência realizada no ano passado. Na altura, a iniciativa não foi publicitada e acabou por ter pouca adesão. Desta vez, João Cavaleiro divulgou a acção nas redes sociais e colocou informação nas portas de 27 prédios da zona, abrangendo várias ruas e pracetas e conseguiu mobilizar uma dezena de vizinhos para a acção.
“Até me atrapalha um bocado andar com a minha filha na rua e ver tanto lixo por todo o lado”, explica o morador, que diz ter começado a pensar na iniciativa depois de constatar que a acumulação de resíduos nas ruas estava a ser encarada com demasiada naturalidade. “A única coisa que nós pretendemos é ver o espaço urbano que rodeia as nossas casas mais limpo, mais asseado, mais seguro, tanto para nós como para as crianças”, explica. Outro dos objectivos é contrariar a ideia de que a limpeza do espaço público é exclusivamente responsabilidade das autarquias. João Cavaleiro diz ter recebido nas redes sociais respostas de pessoas que afirmavam não querer participar porque “a junta é que limpa”, mas não é possível ter alguém atrás de cada pessoa que deita lixo para o chão.

Cidadãos desresponsabilizam-se
Entre os participantes esteve Frederico Biléu, que vive na Póvoa de Santa Iria desde os três anos e na Rua Tiago Silva Santos desde 2014. Diz que tem reparado na acumulação de resíduos em diferentes pontos da freguesia, embora considere que nem sempre é imediatamente perceptível. “Quando se corta a vegetação é que depois se vê a quantidade de lixo”, refere enquanto apanha resíduos com uma pinça própria.
Depois de João Cavaleiro ter divulgado a acção no Facebook, houve quem interpretasse a iniciativa como uma campanha política ou uma tentativa de aproveitamento político, algo que Frederico Bileu rejeita. Outros moradores, acrescenta, optam por responsabilizar exclusivamente a junta ou a câmara, enquanto há ainda quem considere que a realização destas acções pode levar as autarquias a fazer menos.
A iniciativa contou também com a participação de Domitília Biléu, moradora na Póvoa há cerca de 40 anos. Viu a cidade crescer em habitação e população e em termos de limpeza diz que as coisas estão piores. “Está aqui uma seara de beatas. Eu não entendo como é que as pessoas deitam as beatas assim para a rua, como se a rua não fosse um espaço onde têm que passar”, lamenta.

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