Sociedade | 09-10-2026 15:00
Escassez de sangue coloca Hospital de Santarém no limiar de cancelar cirurgias
Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue alerta para uma situação preocupante no Hospital de Santarém. Unidade de saúde admite pressão sobre as reservas e não exclui ajustes pontuais na actividade transfusional programada.
A falta de sangue está a colocar o Hospital de Santarém “no limiar” de ter de cancelar intervenções cirúrgicas previstas para os próximos dias. O alerta é da Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES), que aponta para uma redução continuada das dádivas a nível nacional e manifesta particular preocupação com a situação na unidade hospitalar de Santarém. Alberto Mota, presidente da FEPODABES, afirmou à Lusa que há hospitais com “uma falta de sangue muito grande”, incluindo Santarém, onde a escassez poderá obrigar ao adiamento de cirurgias. A situação, sublinha, não é pontual. As dádivas diminuíram em 2024 e voltaram a cair em 2025, mantendo-se a tendência este ano, segundo dados recolhidos pelas associações.
A Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS Lezíria) confirmou estar a atravessar um período de maior pressão sobre as reservas, situação que considera transversal à rede hospitalar nacional. A instituição garante que está a fazer uma gestão rigorosa do sangue disponível para assegurar os casos prioritários e urgentes, mas admite que, “pontualmente”, poderá ser necessário ajustar a actividade transfusional programada. A ULS Lezíria integra a Rede Estratégica Nacional de Sangue e mantém articulação com outras unidades hospitalares para responder às necessidades assistenciais. Deixou também um apelo aos cidadãos elegíveis para que façam dádivas de sangue.
Segundo Alberto Mota, Lisboa e Vale do Tejo e Algarve são actualmente as regiões que suscitam maior preocupação, devido aos elevados consumos e à menor capacidade de recolha. A FEPODABES estima que sejam necessárias diariamente entre mil e 1.100 unidades de sangue no país. O dirigente aponta como causas da redução das dádivas o cancelamento de recolhas por falta de profissionais de saúde, a escassez de hospitais autorizados a fazer colheitas e o desaparecimento de alguns incentivos aos dadores. Sobre Santarém, Alberto Mota reconhece o trabalho desenvolvido na promoção da dádiva, mas defende que o Serviço de Sangue do hospital deveria funcionar de segunda-feira a sábado. “O problema é que não pode promover muito mais se depois não existir capacidade de colheita”, afirmou.
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