Sociedade | 10-10-2026 21:00

Descargas poluentes na Vala de Alpiarça provocam morte de peixes e chegam ao Ministério Público

Descargas poluentes na Vala de Alpiarça provocam morte de peixes e chegam ao Ministério Público

Duas descargas poluentes registadas em menos de um mês na Vala de Alpiarça provocaram a morte de peixes e levaram a câmara municipal a denunciar a situação às autoridades. Uma avaria no sistema de saneamento da Águas do Ribatejo foi identificada como uma das causas da poluição. O caso está agora nas mãos do Ministério Público.

A Vala de Alpiarça voltou a ser alvo de episódios de poluição, com duas ocorrências registadas a 10 de Setembro e 1 de Outubro. A primeira foi marcada pelo aparecimento de peixes mortos, manchas à superfície da água e odores intensos. A segunda ocorreu junto ao Parque de Merendas do Carril, onde a água apresentava uma tonalidade escura e vários peixes foram observados à superfície. As situações motivaram a intervenção da Protecção Civil, GNR e Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), que encaminhou o processo para o Ministério Público.
Na última reunião de câmara, a presidente do município, Sónia Sanfona, revelou que uma das origens identificadas foi uma avaria no sistema de bombagem de uma estação elevatória da Águas do Ribatejo, situada na zona industrial. O problema provocou o enchimento de uma caixa de saneamento e a consequente descarga de efluentes para a vala. A empresa procedeu entretanto à reparação da válvula e da caixa para impedir novas descargas.
A autarca sublinhou, contudo, que o município não consegue controlar eventuais fontes de poluição a montante do concelho. Foram recolhidas amostras de água em vários pontos, tendo sido detectados indícios de uma substância de aspecto oleoso, cuja origem está a ser investigada. Para prevenir novos episódios, a Câmara de Alpiarça pediu à Águas do Ribatejo a instalação de sensores nas caixas do sistema de saneamento, que permitam detectar anomalias antes de ocorrerem derrames. Foi também solicitado um estudo para encontrar soluções técnicas que reduzam os riscos de poluição.
Sónia Sanfona adiantou ainda que o município está a preparar uma candidatura ao Fundo Ambiental para financiar acções de limpeza da vala e defendeu uma intervenção articulada entre autarquias e administração central, considerando que os problemas daquela linha de água ultrapassam as fronteiras do concelho.

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