Sociedade | 12-10-2026 15:00

Falta de médicos de família deixa Alcanena à procura de soluções

medico saude

Município admite avançar com uma Unidade de Saúde Familiar de modelo B ou C para tentar resolver a falta de médicos de família. Decisão está dependente de uma resposta da ULS Médio Tejo. Autarca diz que situação é de “desespero” e que todas as alternativas têm de ser analisadas.

A falta de médicos de família em Alcanena voltou ao debate na assembleia municipal, onde o executivo revelou estar a estudar diferentes soluções para reforçar os cuidados de saúde no concelho. Entre as possibilidades está a criação de uma Unidade de Saúde Familiar (USF) de modelo B ou C, estando o município a aguardar uma resposta da ULS Médio Tejo sobre a solução que poderá ser concretizada. O assunto foi levantado pela munícipe Carla Pereira, que questionou o executivo sobre o ponto de situação e manifestou preocupação com a possibilidade de ser adoptado o modelo C, que pode envolver entidades privadas. Carla Pereira quis saber se já existem interessados e que medidas estão a ser preparadas para cada cenário.
O presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, admitiu que o município não exclui qualquer alternativa perante as dificuldades existentes. “Nós, neste momento, não descartamos opção nenhuma, porque o nosso estado de desespero é tanto. Temos a casa a arder e precisamos de tentar apagar os fogos”, afirmou. O autarca salientou que têm sido utilizados médicos reformados e o projecto Bata Branca para assegurar alguma resposta à população. Rui Anastácio ressalvou ainda que uma USF modelo C não tem obrigatoriamente de ser gerida por empresas com fins lucrativos, podendo envolver entidades privadas sem fins lucrativos.
A vereadora com o pelouro da Saúde, Clara Batista, explicou que foi colocada à ULS Médio Tejo a possibilidade de criar uma USF modelo B mesmo sem o número de médicos considerado necessário. Alcanena precisaria de pelo menos cinco profissionais, mas o município propôs que a unidade pudesse arrancar com três, acompanhada por medidas para tornar o concelho mais atractivo para novos médicos. A ULS ainda não deu uma resposta definitiva e está prevista uma nova reunião. Entretanto, o município procura reforçar outras valências. A partir de Outubro, o Centro de Saúde deverá contar com uma obstetra, uma pediatra, um fisioterapeuta, uma terapeuta da fala e um psicólogo, com especial atenção à saúde materna e infantil. Clara Batista reconheceu que os médicos reformados e o projecto Bata Branca não substituem a continuidade proporcionada por um médico de família. “Nós queremos é que a população tenha médicos”, afirmou, lembrando que a contratação não depende da câmara. “Nós somos facilitadores e instrumentos de pressão”.

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