Sociedade | 13-10-2026 12:00

Falta de bombeiros voluntários é ameaça à garantia do socorro

Falta de bombeiros voluntários é ameaça à garantia do socorro
Comandante dos bombeiros de Torres Novas, José Carlos Pereira, deixou alertas sobre a falta de voluntários e viaturas envelhecidas na sessão solene dos 95 anos da associação - foto O MIRANTE

Comandante dos Bombeiros Torrejanos aproveitou a sessão solene dos 95 anos da associação para deixar alertas sobre a falta de voluntários, viaturas com mais de 40 anos e a necessidade de criar uma quarta equipa de intervenção permanente.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Torrejanos chegou aos 95 anos com motivos para celebrar, mas também com preocupações que ameaçam a sua capacidade operacional. Na sessão solene realizada no dia 5 de Outubro, no Teatro Virgínia, o comandante José Carlos Pereira deixou um dos alertas mais fortes: há cada vez menos candidatos a vestir a farda e, se a tendência não for invertida, alguns corpos de bombeiros podem vir a não ter voluntários suficientes para assegurar os serviços mínimos.
Este ano, referiu, apenas três estagiários chegaram a bombeiros, número que considera “manifestamente muito pouco para as necessidades actuais”, enquanto a nova escola de recrutas conta, para já, com oito inscritos. “Esta situação é muito preocupante”, afirmou, acrescentando que, num “curto espaço de tempo”, poderá haver corpos de bombeiros sem elementos suficientes para assegurar os serviços mínimos com voluntários e chegar-se ao ponto de não existir capacidade para garantir resposta 24 horas por dia.
O problema dos recursos humanos juntou-se à necessidade de renovar meios. O comandante recordou que a corporação ainda tem ao serviço viaturas de combate a incêndios florestais com mais de 40 anos e apontou como prioridade a substituição do veículo de combate a incêndios urbanos. “É urgente renovar as frotas dos corpos de bombeiros”, afirmou, defendendo também a criação de uma carreira de bombeiro profissional nas associações humanitárias e o reconhecimento da actividade como profissão de risco e desgaste rápido. Em Torres Novas continua igualmente por concretizar a quarta Equipa de Intervenção Permanente (EIP), pedida desde 2024 à Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil. “Desistir não é uma opção. Continuarei a persistir de modo a haver a sua concretização”, garantiu José Carlos Pereira.
Em representação da Liga dos Bombeiros Portugueses, Guilherme Isidro apontou o recrutamento e retenção de voluntários, a sustentabilidade financeira das associações e a valorização dos bombeiros como alguns dos problemas que continuam por resolver. Defendeu o reforço das equipas de intervenção permanente e financiamento estável, numa altura em que os bombeiros assumem responsabilidades crescentes na emergência pré-hospitalar.
O comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil do Médio Tejo, David Lobato, destacou, por sua vez, a articulação operacional com a corporação, que disse assentar numa “relação de estrita cooperação e total confiança mútua”, elogiando a liderança, o profissionalismo e a permanente disponibilidade dos Bombeiros Torrejanos.
O presidente da associação, Gonçalo Pereira, preferiu colocar o foco nos homens e mulheres que dão corpo à instituição e nas famílias que suportam, muitas vezes longe dos holofotes, as exigências do serviço. O dirigente destacou também o investimento recente na renovação da frota, na melhoria do quartel, na formação e nos equipamentos de protecção individual, defendendo que a associação “não pode viver apenas daquilo que fez no passado”.

Município garante apoio a mais uma equipa de intervenção
O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, centrou o discurso no reconhecimento de quem coloca disponibilidade e segurança pessoal ao serviço dos outros. O autarca destacou também o apoio financeiro do município à associação humanitária, que representa uma transferência anual superior a 436 mil euros, incluindo 20 mil euros em transferências mensais e verbas destinadas às equipas de intervenção permanente, DECIR e outros apoios. Garantiu ainda que, caso a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil aprove a quarta EIP reivindicada pela corporação, a Câmara de Torres Novas assumirá a parte que lhe compete no financiamento.

Bombeiros distinguidos pela assiduidade

A cerimónia dos 95 anos serviu também para reconhecer quem tem feito a história da associação, que mantém como lema “Saber para Servir”. Foram atribuídas medalhas de mérito, nos graus cobre e ouro, por anos de assiduidade, e condecorações da Liga dos Bombeiros Portugueses, igualmente por assiduidade. Foram ainda distinguidos associados com 50 anos de ligação à instituição e realizadas promoções a bombeiro de terceira e primeira. Dois dos momentos mais marcantes foram as distinções ao comandante José Carlos Pereira e ao antigo presidente da mesa da assembleia geral e ex-presidente da direcção, Arnaldo Santos.

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