Instituto Português do Sangue cancelou 285 recolhas até Agosto
Entre os 285 cancelamentos de dádivas de sangue registados em todo o país até Agosto, 37 deveram-se à falta de profissionais. Por essa razão, em Setembro foram canceladas duas colheitas, no Vale de Santarém e na Póvoa de Santa Iria.
O Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) realizou 3588 sessões de colheita de sangue entre Janeiro e 31 de Agosto, tendo cancelado 285 no mesmo período. Destas, 37 foram motivadas por falta de recursos humanos, o que corresponde a cerca de 13 por cento dos cancelamentos, segundo avançou o instituto a O MIRANTE.
O IPST, que realiza sessões de colheita diariamente em todo o país, sublinha que o cancelamento de sessões por motivos de força maior é uma “excepção e não a regra”. Entre os motivos que podem levar ao cancelamento está, nomeadamente, a indisponibilidade dos organizadores locais.
Recorde-se que, em Setembro, foram canceladas duas acções de colheita na Póvoa de Santa Iria e no Vale de Santarém, devido à falta de recursos humanos necessários à sua realização. “Para realizar a sessão de colheita a equipa tem de estar completa. Basta que por motivos de última hora, falte um profissional, que já inviabiliza a realização da sessão. Sem nunca minorar o impacto junto dos organizadores, estes cancelamentos, em ambas localidades, são onde se realizam regularmente outras sessões de colheita”, referiu o IPST.
Sobre a afirmação da Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) de que não faltam dadores, mas sim capacidade para recolher o sangue que estes estão disponíveis para oferecer, o IPST afirma que “não se revê nesta afirmação” e desconhece os dados em que a mesma se baseia.
O instituto salienta que, além das sessões de colheita que realiza diariamente, existem serviços hospitalares com serviço de recolha de sangue em todo o país. O IPST afirma que tudo faz para potenciar e gerir os recursos disponíveis, de forma a manter as reservas de sangue em níveis estáveis. A dificuldade de recursos humanos, acrescenta, é transversal a toda a Administração Pública, existindo um esforço permanente para atrair novos profissionais.
Quanto ao número de unidades de sangue que terão deixado de ser recolhidas devido aos cancelamentos, o IPST diz não conseguir quantificar esse impacto. “O adiamento de uma sessão não significa obrigatoriamente deixar de fazer colheitas. Os dadores optam por se deslocarem a outros locais para fazerem a sua dádiva. As sessões que são adiadas são sempre as que apresentam um histórico com menos afluência de dadores. Não podemos apontar um valor, uma vez a dádiva é voluntária e existe apenas uma previsão de dadores”, diz o IPST.
Na elaboração do plano anual para o próximo ano, o instituto espera retirar sessões de colheita que se repetem e apresentam sistematicamente uma afluência muito abaixo da previsão indicada. Segundo o IPST, esta situação conduz a um desperdício de recursos e a instabilidade das reservas.
Sobre a capacidade para receber os dadores que respondem aos apelos à dádiva e assegurar as reservas necessárias aos hospitais, o IPST afirma que a situação das reservas de sangue está “em linha com os anos anteriores”. Agora, com o final do Verão, o instituto espera que a tendência seja para que as reservas de sangue estabilizem.


