Alcanena e Ourém apoiam alargamento do Parque Natural
Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros pode crescer 3.734 hectares, dos quais cerca de 800 nos concelhos de Alcanena e Ourém. Autarcas consideram que as novas áreas têm valores naturais e paisagísticos que justificam maior protecção.
Os municípios de Alcanena e Ourém deram parecer favorável ao alargamento do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), que prevê integrar mais 797 hectares nos dois concelhos. A proposta do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) acrescenta um total de 3.734,5 hectares ao parque, incluindo ainda uma extensa área no concelho de Torres Novas. Ourém vai contribuir com 570,8 hectares, localizados na freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, junto a Bairro, Sobral e Lagoa do Furadouro. A área abrange os vales das ribeiras do Caneiro e da Bezelga, o Ribeiro da Cova da Fórnea e o Ribeiro do Vale do Santo. O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, considera que estão em causa valores ambientais e paisagísticos que justificam “uma protecção acrescida” e permitem assegurar maior continuidade territorial na conservação dos sistemas naturais.
Quase 98% da área abrangida no concelho já está classificada no Plano Director Municipal como Espaço Natural e Paisagístico, pelo que a autarquia não antecipa impactos significativos nas actividades existentes ou em projectos previstos. Luís Albuquerque defende também que a classificação como área protegida é compatível com a actividade económica, nomeadamente através da valorização dos produtos locais, percursos pedestres e turismo de natureza. Em Alcanena serão integrados 226,6 hectares na freguesia de Moitas Venda. O presidente da câmara e da Comissão de Cogestão do PNSAC, Rui Anastácio, considera que a inclusão da área associada à Escarpa do Arrife “faz todo o sentido”, destacando os valores de fauna e flora existentes naquela zona de transição.
O autarca enquadra o alargamento numa estratégia mais vasta de valorização das Serras de Aire e Candeeiros, que inclui um projecto de cerca de três milhões de euros envolvendo os sete municípios abrangidos pelo parque. A iniciativa, com execução prevista a partir de Outubro, contempla a valorização de percursos, conteúdos, comunicação e promoção turística nos mercados nacional e internacional. O alargamento do PNSAC nasceu de uma reivindicação de Torres Novas, iniciada em 2019, para integrar toda a extensão da Escarpa do Arrife existente no concelho. A proposta esteve em discussão pública até 21 de Setembro e encontra-se agora em análise.


