Sociedade | 16-10-2026 07:00

Moradores de Pontével temem novas derrocadas junto às habitações

Moradores de Pontével temem novas derrocadas junto às habitações

Uma derrocada ocorrida em Fevereiro, em Pontével, continua a preocupar moradores que receiam novos deslizamentos com a chegada das chuvas. A Câmara do Cartaxo garante acompanhar a situação, mas invoca limitações legais para intervir em terrenos privados.

Oito meses depois de uma derrocada de grandes dimensões na Rua Pinhal Bairro, em Pontével, concelho do Cartaxo, os moradores continuam a reclamar uma solução definitiva para estabilizar o talude e evitar novos deslizamentos de terras. O assunto foi levado à última Assembleia Municipal do Cartaxo por Flávio Amorim, em representação dos sogros, proprietários de um dos terrenos afectados. A derrocada ocorreu em Fevereiro e levou à intervenção da Protecção Civil, Câmara e junta de freguesia, tendo sido colocados sacos de contenção para desviar as águas pluviais. Dias depois foi identificada uma fissura com cerca de 20 metros no topo do talude, considerada sinal de possível rotura. Segundo Flávio Amorim, avaliações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) apontaram deficiências na drenagem das águas provenientes da via pública e recomendaram a estabilização do terreno. O munícipe criticou a ausência de uma intervenção definitiva e contestou a abertura de um processo municipal que questiona a legalidade da habitação dos sogros, construída na década de 1970. Também Paula Fonte, proprietária de uma moradia vizinha, manifestou receios pela segurança da habitação e denunciou abatimentos no quintal e problemas recorrentes nos esgotos. O presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, garantiu que a situação está a ser acompanhada pelos serviços técnicos e pela Protecção Civil, mas sublinhou a impossibilidade de o município realizar obras em propriedade privada. Confirmou a existência de um processo judicial e assegurou que, segundo os técnicos, a casa de Paula Fonte não está em risco. As bancadas municipais manifestaram preocupação com a segurança dos moradores e da estrada, utilizada por veículos pesados. A CDU defendeu que seja ponderado alojamento temporário caso exista perigo para os residentes. Todas as bancadas solicitaram acesso à documentação do processo.

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