Sociedade | 17-10-2026 12:00

João Esperança Barroca declara guerra ao Acordo Ortográfico com humor e ironia

João Esperança Barroca declara guerra ao Acordo Ortográfico com humor e ironia
João Esperança Barroca regressou à escola onde iniciou a carreira docente, em 1982, para apresentar o seu livro - foto O MIRANTE

Antigo professor apresentou na Escola Secundária Jácome Ratton, em Tomar, o livro «Da Virose Ortográfica», uma crítica bem-humorada às alterações introduzidas na língua portuguesa. O autor regressou à escola onde iniciou a carreira docente, em 1982, para defender o regresso à antiga norma ortográfica.

João Esperança Barroca não poupa críticas ao Acordo Ortográfico de 1990 e encontrou no humor e na ironia uma forma de manifestar o seu descontentamento. O antigo professor apresentou o livro «Da Virose Ortográfica», uma obra que nasceu de uma brincadeira com dez diálogos e acabou por ganhar dimensão suficiente para ser publicada, graças também ao incentivo de familiares e amigos. Para o autor, o Acordo Ortográfico é uma espécie de “virose” que “ataca a língua, torna-a menos inteligível, cria confusões, onde elas não existiam”. Ao longo da obra, recorre a situações do quotidiano e a exemplos concretos para denunciar aquilo que considera serem ambiguidades e incoerências provocadas pela supressão de consoantes e por outras alterações à escrita. Defende que a solução passa pelo regresso à norma anterior e acredita que ainda é possível inverter o caminho seguido.
Durante a apresentação, João Esperança Barroca questionou também os custos da implementação do acordo, nomeadamente na formação e substituição de materiais escritos, e criticou a aplicação desigual das novas regras nos países de língua portuguesa. Fez questão de sublinhar que o próprio livro respeita a ortografia que defende, uma opção explicada na nota introdutória.
A apresentação decorreu na Escola Secundária Jácome Ratton, em Tomar, onde João Esperança Barroca iniciou a carreira de professor a 21 de Outubro de 1982. O regresso ao estabelecimento de ensino, depois de 36 anos de trabalho noutra escola, teve um significado especial para o autor, que quis retribuir o acolhimento e o afecto recebidos no início do percurso profissional.
A sessão contou com momentos musicais e intervenções do público, que questionou o autor sobre o título da obra e a possibilidade de recuperar a antiga ortografia. João Esperança Barroca revelou ainda que tem novos textos em preparação e não exclui a publicação de uma continuação, eventualmente intitulada «A Virose».

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