Pais denunciam frio, calor e infiltrações na Escola Básica de Aveiras de Cima
Problemas de climatização, casas-de-banho degradadas, infiltrações e pavimentos levantados são alguns dos problemas na Escola Básica de Aveiras de Cima para os quais a associação de pais exige resposta. Requalificação ronda os 900 mil euros, mas soma atrasos e continua sem data para o início dos trabalhos.
Os problemas são conhecidos e arrastam-se há anos, agora com os pais e encarregados de educação da Escola Básica de Aveiras de Cima a exigir publicamente respostas ao presidente da Câmara de Azambuja. “Quantos alertas são necessários para que se faça alguma coisa”, começou por questionar a presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Vale Aveiras, Cindy Narciso, na última sessão da Assembleia Muncipal de Azambuja. Acompanhada de mais de uma dezena de pais e encarregados de educação, a dirigente denunciou as condições do estabelecimento de ensino que considera porem em causa a “segurança, dignidade e responsabilidade”.
A escola, elencou, continua sem um sistema de climatização adequado, deixando as crianças expostas ao frio no Inverno e ao calor nos meses mais quentes. As casas-de-banho apresentam sinais de degradação e tubagens à vista, enquanto no exterior as raízes das árvores levantaram o pavimento, criando riscos para os alunos. A lista de problemas inclui ainda infiltrações que, quando chove, fazem entrar água no edifício, incluindo nas salas de aula.
Tal como O MIRANTE já tinha noticiado, em Janeiro de 2024, havia alertas do, na altura, presidente de junta, António Torrão, para as más condições climatéricas nas salas de aula. Em Março deste ano, os próprios alunos deslocaram-se a uma reunião de câmara para pedir melhores condições na escola.
Cindy Narciso recordou que, em Maio de 2025, a associação de pais reuniu com o presidente da câmara e expôs os problemas, tendo recebido a indicação de que as obras avançariam durante esse Verão. Já no início deste ano lectivo, segundo afirmou, a directora do agrupamento enviou três emails ao município, a 3 de Agosto, 2 e 24 de Setembro, sem obter resposta.
Também o presidente da Junta de Aveiras de Cima, Rodrigo Conceição, pediu respostas ao município. “Uma escola deve ser um lugar seguro e digno para todos”, afirmou, defendendo que, se a grande requalificação demora, a autarquia deve resolver de imediato os problemas mais urgentes, nomeadamente a climatização e as infiltrações.
Requalificação de 900 mil euros sem data no calendário
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio (PS), deu razão às críticas e admitiu os contratempos que têm marcado o processo. Explicou que foi necessário encontrar financiamento para uma intervenção de cerca de 900 mil euros, que prevê trabalhos no aquecimento central, casas- de-banho e janelas, entre outras melhorias.
Segundo o autarca, houve um procedimento que “não foi bem executado” pelo município, estando agora a ser seguidos os passos legais necessários para desenvolver um novo processo ou aceitar a justificação apresentada pelo empreiteiro em sede de audiência prévia.
Silvino Lúcio garantiu, no entanto, que a caldeira deverá estar reparada e em pleno funcionamento antes do próximo Inverno. Quanto à requalificação global, não avançou uma data para o início dos trabalhos. A intenção inicial, explicou, era concentrar a intervenção nas férias escolares, mas o calendário não foi cumprido e a câmara admite agora avançar com trabalhos durante o período lectivo, aproveitando também as interrupções escolares.


