Moradores sentem-se lesados por obras que duram há seis anos nas Piscinas da Chamusca
Abaixo-assinado de moradores que vivem nas imediações das Piscinas Municipais da Chamusca reclama compensação pelos impactos paisagísticos, duração dos trabalhos e poeiras provocadas por uma empreitada que se arrasta há vários anos. Presidente da câmara rejeita a pretensão e diz que não faria sentido abrir esse precedente.
Um grupo de moradores que reside junto ao Complexo das Piscinas Municipais da Chamusca apresentou um abaixo-assinado em que reclama uma compensação, através da isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), pelos transtornos provocados pelas prolongadas obras de requalificação do equipamento. O assunto chegou à reunião do executivo municipal, com o presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira, a rejeitar a pretensão.
Segundo foi explicado na reunião, os subscritores consideram ter sido prejudicados pelo impacto paisagístico do novo edifício, pelo longo período de execução da empreitada e pelos incómodos associados aos trabalhos, nomeadamente poeiras. Nuno Mira reconheceu a existência de impactos, mas afastou a possibilidade de a autarquia compensar os proprietários através do IMI. “Não é de bom senso agora qualquer morador que tenha obras ao pé de casa, não concorda com a obra, pedir a isenção de IMI. Não faz sentido nenhum”, afirmou.
A contestação surge num processo que se transformou numa das obras públicas mais polémicas do concelho. As piscinas estão encerradas desde Setembro de 2019 e O MIRANTE tem noticiado sucessivamente os atrasos, prorrogações de prazo, revisões de preços e problemas técnicos que têm acompanhado a empreitada. Em 2025 foram ainda aprovados trabalhos complementares devido a “erros e omissões”, envolvendo alterações em tectos, redes de água, equipamentos de desumidificação, tratamento de água e sistemas de climatização. O próprio Nuno Mira já reconheceu publicamente que o edifício tem um forte impacto naquele local. Em entrevista a O MIRANTE, o autarca considerou que aquela era uma zona nobre da vila e que um edifício daquela dimensão não se adequava ao espaço, embora tenha sublinhado que, estando a construção avançada, a prioridade é concluir a obra e colocá-la ao serviço da população. A reabertura continua, entretanto, sem data definitiva. Problemas relacionados com a potência eléctrica necessária ao funcionamento do complexo obrigam à instalação de um novo posto de transformação, situação que deverá empurrar a entrada em funcionamento da piscina interior para 2027.


