Sociedade | 19-10-2026 15:00

Engenharia Civil de Tomar celebra 40 anos com os olhos postos no futuro

Engenharia Civil de Tomar celebra 40 anos com os olhos postos no futuro
Antigos alunos, professores e responsáveis da instituição vincaram quatro décadas do curso - foto O MIRANTE

Quatro décadas depois de ter começado a formar engenheiros, o curso de Engenharia Civil da Universidade Politécnica de Tomar continua a reinventar-se. Com antigos alunos a trabalhar em 37 câmaras municipais do país, a formação aposta agora na inovação tecnológica, na sustentabilidade e na inteligência artificial para responder aos desafios da construção.

O curso de Engenharia Civil da Universidade Politécnica de Tomar (UPTomar) assinalou 40 anos de existência com uma celebração que reuniu antigos alunos, professores e responsáveis da instituição. Criado em 1986, como Bacharelato em Construção Civil, o curso atravessou mudanças profundas no ensino e no sector da construção, formando gerações de profissionais que hoje trabalham em empresas, autarquias e outras entidades públicas e privadas. Para a directora da Escola Superior de Tecnologia de Tomar, Cecília de Melo Baptista, as quatro décadas representam um motivo de orgulho e demonstram o contributo da instituição para o desenvolvimento regional e nacional. A directora da licenciatura, Ana Paula Machado, sublinha que a celebração é também uma homenagem a todos os que ajudaram a construir a história do curso.
O percurso nem sempre foi fácil. Depois de encerrar em 2021, a licenciatura regressou no ano seguinte, através de uma parceria com a Escola Superior de Actividades Imobiliárias, de Lisboa. A reformulação curricular permitiu adaptar a formação às novas exigências do mercado e criar um modelo de aulas síncronas entre Tomar e Lisboa, mantendo a componente prática e laboratorial. Segundo Cecília Baptista, a renovação começa a dar frutos, com o aumento do número de estudantes e a capacidade de atrair mais jovens, depois de um período em que predominavam trabalhadores-estudantes.

Do estirador à Inteligência Artificial
A evolução tecnológica é uma das maiores transformações vividas pelo curso. Os desenhos feitos à mão, os acetatos e as máquinas de calcular deram lugar a programas informáticos de análise estrutural, modelação tridimensional e planeamento de obras. Nuno Silva conhece bem essa mudança. Antigo aluno e actualmente docente, regressou à instituição em 2022 para ensinar novas gerações de engenheiros. Trabalha em áreas como o levantamento tridimensional por laser, a fotogrametria e a modelação digital, ferramentas que revolucionaram a forma de projectar e reabilitar edifícios. Também Ricardo Pires, que ingressou no curso em 1996 e regressou como professor em 2022, recorda os tempos em que o estirador era indispensável. Ambos defendem que a inteligência artificial terá um papel crescente na profissão, mas alertam que nenhuma tecnologia substitui os conhecimentos fundamentais e a responsabilidade técnica dos engenheiros.

Engenheiros formados em Tomar estão em 37 autarquias
O impacto da formação ultrapassa largamente as fronteiras do concelho. Segundo Ana Paula Machado, há antigos alunos de Engenharia Civil de Tomar a trabalhar em 37 das 308 câmaras municipais portuguesas, cerca de 12% do total. Outros criaram empresas, sobretudo nos distritos de Santarém, Lisboa, Leiria e Portalegre, ou desenvolveram carreiras no estrangeiro. Para Nuno Silva e Ricardo Pires, regressar à instituição onde estudaram representa também uma oportunidade de transmitir conhecimentos e experiências profissionais às novas gerações. O futuro coloca novos desafios à Engenharia Civil, desde a necessidade de construir mais habitação até à eficiência energética, redução das emissões de carbono e adaptação às alterações climáticas. A aposta na sustentabilidade e na inovação será determinante para manter a formação relevante.

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