Moradores da Quinta da Adufa querem soluções para problemas urbanísticos com quase duas décadas
Comissão de moradores da urbanização de Vila Nova da Rainha reconhece abertura da Câmara de Azambuja para avançar com vistoria técnica, mas defende que chegou o momento de encontrar uma solução para o conjunto de problemas acumulados.
Os moradores da Quinta da Adufa, em Vila Nova da Rainha, querem que a resolução dos problemas urbanísticos da zona deixe de ser feita caso a caso e passe a integrar uma intervenção global numa urbanização marcada por situações pendentes há quase duas décadas. O apelo foi deixado por Carlos Gomes, representante da comissão de moradores, na última sessão da Assembleia Municipal de Azambuja, onde entregou documentação aos eleitos sobre o processo.
Apesar das críticas ao longo historial de problemas, Carlos Gomes fez questão de destacar de forma positiva a disponibilidade demonstrada pela Câmara de Azambuja para avançar com uma vistoria técnica ao denominado muro MS1, na envolvente dos lotes 124 e 125. Um desenvolvimento que, afirmou, permite aos moradores encarar esta fase com uma expectativa diferente e acreditar que será possível passar da identificação dos problemas para uma solução.
A comissão considera, no entanto, que uma resposta pontual não chega e defende a realização de um levantamento global dos passivos urbanísticos e das urbanizações inacabadas existentes no concelho, que permita identificar responsabilidades, garantias disponíveis, prioridades e possibilidades concretas de resolução. Nesse contexto, Carlos Gomes questionou também em que fase se encontra a Carta Municipal de Habitação de Azambuja e se as várias fases inacabadas da Quinta da Adufa estão identificadas nesse instrumento.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio (PS), explicou que a Carta Municipal de Habitação deverá ser apresentada ao executivo durante o mês de Outubro, seguindo-se depois os procedimentos necessários até à fase de consulta pública. O autarca reafirmou ainda a disponibilidade do município para colaborar na procura de uma solução global para a urbanização.
A comissão de moradores manifestou igualmente disponibilidade para participar nesse processo e colocou à disposição da autarquia documentação que reuniu sobre a eventual titularidade dos lotes 124 e 125 e sobre a sociedade envolvida. Carlos Gomes propôs ainda que, depois da vistoria técnica, seja promovida uma reunião entre município, junta de freguesia, comissão de moradores e proprietários, procurando criar condições para uma solução concertada.
Silvino Lúcio referiu que o município ainda não dispunha de informação sobre todos os proprietários que consideravam ter problemas ao nível da estrutura das suas habitações, questão que poderá ser aprofundada no levantamento da situação.
A Quinta da Adufa está ligada ao bairro construído pela cooperativa de habitação Socasa, em Vila Nova da Rainha. O MIRANTE tem acompanhado ao longo dos anos os problemas daquela zona, nomeadamente uma construção inacabada e embargada em 2010, cuja situação levou moradores a apresentar uma petição reclamando uma solução. Em 2024 continuavam a ser denunciados riscos de segurança associados ao esqueleto da construção e às vedações degradadas.


