Sociedade | 19-10-2026 21:00

Painéis solares podem ocupar 514 hectares no Sardoal

Painéis solares podem ocupar 514 hectares no Sardoal
- foto DR

Cerca de 514 hectares do concelho de Sardoal estão identificados como potencialmente adequados para a instalação de painéis solares. A possibilidade de os projectos avançarem em zonas da serra de Alcaravela preocupa eleitos municipais e o próprio presidente da câmara.

A identificação de cerca de 514 hectares do concelho de Sardoal para eventual instalação de painéis solares está a gerar preocupação entre os eleitos municipais, sobretudo devido à inclusão de áreas da serra de Alcaravela. As zonas constam do Programa Sectorial das Áreas de Aceleração para a Implementação de Energias Renováveis, recentemente apresentado na assembleia municipal. O documento estabelece diferentes níveis de incidência, correspondentes ao grau de possibilidade de instalação de equipamentos fotovoltaicos. O deputado municipal Adérito Garcia mostrou-se surpreendido com a inclusão de áreas de Alcaravela e defendeu que o município deve acompanhar e procurar regular o processo dentro das competências que lhe são atribuídas. “Não sou contra, mas temos de saber regular”, afirmou, lembrando casos em que terrenos anteriormente agrícolas foram ocupados por painéis solares e ficaram “sem qualquer vegetação”. O presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa, explicou que os cerca de 514 hectares sinalizados representam aproximadamente 5,6% do território municipal e que a energia eólica não está contemplada nessa área. O autarca adiantou que o município acompanhou o processo através da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e participou na tomada de posição durante a consulta pública. Alertou, no entanto, para a “pouca margem de manobra” dos municípios no licenciamento dos projectos, cabendo à autarquia sobretudo verificar o cumprimento das limitações previstas no Plano Director Municipal (PDM). Pedro Rosa referiu ainda a indicação de que os municípios terão de afectar 1% do território previsto no PDM a estas áreas, estando agora a ser analisados o mapa e as respectivas condicionantes. “Não estou confortável com isto pelo facto de os municípios terem pouca intervenção neste procedimento e também pelo facto de eu achar que na defesa do ambiente não vale tudo”, afirmou.
O presidente da câmara pretende aguardar pela análise da equipa técnica municipal antes de retirar conclusões, mas não esconde a preocupação relativamente a Alcaravela. “Não iria gostar de ver a serra de Alcaravela preenchida com os painéis”, concluiu.

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