Oposição chumba criação da empresa municipal Alenquer Ambiente
Proposta para criar uma empresa municipal de gestão de resíduos foi chumbada pela oposição na Câmara de Alenquer, apesar do estudo apresentado defender que seria a solução economicamente mais vantajosa. PSD, vereador independente e Chega apontam falhas à análise e receiam, entre outras questões, custos acrescidos e nomeações políticas.
A oposição ao executivo socialista na Câmara de Alenquer chumbou, na reunião de segunda-feira, a proposta de constituição da empresa municipal Alenquer Ambiente para gerir a recolha de resíduos urbanos, assegurada desde 1999 pela EcoAmbiente, e, numa fase posterior, a gestão dos serviços de águas e saneamento, concessionados à Águas de Alenquer até 2030.
O contrato actual com a empresa responsável pela recolha de resíduos é celebrado em regime de prestação de serviços desde 1999 e tem vindo a ser sucessivamente prorrogado. No início deste ano, foi aprovada uma proposta do executivo para a realização de um estudo de avaliação dos serviços e análise de um futuro modelo de gestão que contemplasse três cenários: internalizar a recolha de resíduos numa unidade orgânica do município, celebrar um novo contrato de prestação de serviços ou criar uma empresa municipal.
O estudo foi apresentado na reunião de Câmara pelo professor Joaquim Poças Martins, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e especialista na gestão do sector da água em Portugal, que defendeu que a constituição de uma empresa municipal é a solução economicamente mais vantajosa para o erário público, em comparação com a celebração de um novo contrato de prestação de serviços.
Os argumentos não convenceram a oposição, que votou contra a proposta. Para Francisco Guerra, eleito pelo PSD, o estudo é redutor, na medida em que não considera outras soluções, como as parcerias público-privadas ou a criação de uma empresa intermunicipal, por exemplo. O autarca considera mesmo que o estudo constitui “um fato feito à medida” do PS, abrindo caminho a nomeações políticas numa futura empresa municipal. Entre as questões levantadas está também o facto de o estudo apresentar uma actualização salarial “irrealista”, assumindo uma actualização média anual de apenas 0,5% ao longo de dez anos.
Também o vereador independente Tiago Pedro manifestou reservas em relação ao estudo, apesar de concordar com a constituição de uma empresa municipal para gerir os resíduos e a água. Entre as dúvidas levantadas estão questões relacionadas com os salários, o aluguer de viaturas e a fiscalização, bem como os benefícios para os munícipes.
O vereador do Chega, Carlos Sequeira, votou contra por considerar que a população poderá vir a pagar mais pelos serviços.
Apesar das explicações do professor e do presidente do município, João Nicolau, a proposta foi chumbada pelos eleitos do PSD, por Tiago Pedro e pelo Chega.
Após a reunião, em comunicado, o presidente da Câmara “rejeita cabalmente os argumentos da oposição” e afirma: “Fico triste pelo concelho, pela falta de sentido cívico apresentado neste voto. O senhor vereador (PSD) já trazia esse voto escrito antes da reunião, o que leva a concluir que veio para a reunião sem intenções de resolver um problema que é necessário solucionar aos munícipes de Alenquer”, reiterou.


