Em VFX e Santarém há mais de meio milhar de agregados familiares na pobreza
A 17 de Outubro assinalou-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, uma data que alerta para a necessidade de combater as desigualdades sociais e económicas e de garantir que todas as pessoas têm acesso a condições de vida dignas.
Nos concelhos de Vila Franca de Xira e Santarém o trabalho desenvolvido pelo Radar Social tem permitido identificar situações de vulnerabilidade, encaminhar famílias para acompanhamento social e compreender melhor as necessidades da população. Embora os dados dos dois municípios utilizem indicadores diferentes, os resultados demonstram a importância de uma intervenção de proximidade para identificar situações de fragilidade económica e social, muitas vezes associadas à insuficiência de rendimentos, às dificuldades em suportar despesas essenciais, à precariedade habitacional, à perda de autonomia e ao isolamento social.
Segundo os dados disponibilizados a O MIRANTE pelo município, em Vila Franca de Xira o Projecto Radar Social sinalizou 66 situações de vulnerabilidade desde que foi criado, em Abril de 2025, das quais resultaram 44 encaminhamentos para acompanhamento social. Em Santarém, o trabalho realizado permitiu identificar 563 agregados familiares em situação de fragilidade social, dos quais 535 já foram encaminhados. No total, os dois projectos registaram 629 situações ou agregados familiares sinalizados, embora os números não sejam directamente comparáveis, uma vez que correspondem a unidades de contagem distintas.
Desenvolvido no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Radar Social de Vila Franca de Xira tem como objectivo reforçar a capacidade de identificação e acompanhamento de situações de vulnerabilidade social no concelho, através de um sistema de georreferenciação social. Entre as principais problemáticas identificadas encontram-se a insuficiência de rendimentos, a perda de autonomia na realização das actividades da vida diária e as condições inadequadas de habitabilidade.
A sensibilização da população mais jovem assumiu igualmente um papel de destaque. Durante Abril e Maio deste ano foram realizadas 16 acções em estabelecimentos de ensino, abrangendo cerca de 700 alunos do 12.º ano. Para além de dar a conhecer os canais de sinalização de situações de vulnerabilidade social, estas sessões procuraram despertar a consciência cívica dos jovens e promover valores como a empatia, a solidariedade, a responsabilidade colectiva e a participação activa na comunidade.
Entre as prioridades para a continuidade do trabalho encontram-se a consolidação das dinâmicas de proximidade, a realização de novas acções de sensibilização nas escolas, a divulgação dos canais de sinalização e dos recursos de apoio social, o reforço da articulação entre os parceiros da Rede Social e a promoção de iniciativas comunitárias que envolvam instituições, associações, escolas e cidadãos.
Dificuldades económicas em Santarém
Em Santarém, como O MIRANTE já dera nota, o estudo também integralmente financiado pelo PRR, teve por base 1.921 inquéritos realizados à população do concelho, envolvendo todas as freguesias e diferentes faixas etárias. Os resultados revelaram que uma em cada três pessoas inquiridas apresenta vulnerabilidades susceptíveis de justificar acompanhamento ou intervenção social.
De acordo com o relatório, as dificuldades associadas à insuficiência de rendimentos, à limitação da capacidade financeira para fazer face às despesas correntes e ao aumento dos custos com a habitação, a energia, a alimentação e a saúde constituem factores centrais de risco social. Estas dificuldades condicionam a qualidade de vida e podem potenciar a acumulação de outras vulnerabilidades.
A dimensão da saúde constitui igualmente uma preocupação relevante. A prevalência de doenças crónicas, as limitações físicas e as situações de dependência funcional traduzem-se numa procura crescente de apoio para a realização das actividades da vida diária, sobretudo entre a população mais velha. As necessidades identificadas incluem tarefas domésticas, tratamento de roupas, higiene habitacional, preparação de refeições, mobilidade e gestão da medicação. Estes resultados evidenciam a importância de reforçar as respostas de apoio domiciliário e as medidas de promoção da autonomia, de modo a permitir que as pessoas com maiores dificuldades recebam o acompanhamento de que necessitam.
A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, os dados dos dois concelhos recordam que a pobreza não se manifesta apenas através da falta de rendimentos, mas também pela dificuldade em pagar despesas essenciais, na ausência de condições habitacionais dignas, na perda de autonomia, nas limitações de acesso a cuidados e no isolamento social.


