Filas na Recta do Cabo desesperam quem atravessa a Ponte Marechal Carmona
As obras de reabilitação da Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira, estão a provocar longas filas na Recta do Cabo e a transformar deslocações de poucos minutos em viagens que chegam a ultrapassar uma hora. Automobilistas denunciam dificuldades no cruzamento de veículos pesados, atrasos para chegar ao trabalho e à escola e receiam que os condicionamentos se prolonguem sem alternativas. A isenção de portagens na Ponte das Lezírias é uma das principais reivindicações.
Diana Varela vive em Samora Correia e trabalha no Carregado. É administrativa e está habituada a utilizar a Ponte Marechal Carmona para atravessar o Tejo nas suas deslocações diárias. Um percurso que normalmente fazia em 10 a 15 minutos passou a demorar entre 40 e 45 minutos, sobretudo no período da manhã. A situação está a tornar-se insustentável para quem depende daquela travessia que liga os concelhos de Benavente e Vila Franca de Xira.
A automobilista explica que os congestionamentos começam a formar-se por volta das 7h30 e prolongam-se durante a hora de ponta, acrescentando que sair de casa mais cedo nem sempre resolve o problema. “Se sair 20 ou 30 minutos mais cedo de casa, demoro exactamente o mesmo tempo”, refere.
O problema começou a agravar-se com a redução da circulação na Ponte Marechal Carmona para uma via em cada sentido, devido às obras de reabilitação e reforço estrutural da travessia sobre o Tejo. A largura disponível para a passagem dos veículos é uma das principais preocupações dos automobilistas, sobretudo quando dois camiões se cruzam em sentidos opostos. “Para se cruzarem têm que ir quase parados”, descreve Diana Varela, defendendo a criação de alternativas que permitam desviar parte do trânsito para a Ponte das Lezírias.
A automobilista garante que ninguém contesta a necessidade das obras, mas entende que a população não pode ficar sujeita a tantos transtornos durante um período tão prolongado. A indignação tem levado moradores a trocar informações e a procurar formas de protesto através das redes sociais. Diana Varela já enviou reclamações à Câmara de Benavente e admite a possibilidade de ser organizado um buzinão para chamar a atenção das entidades responsáveis.
Atrasos também afectam as deslocações escolares
Sara Braz, também residente em Samora Correia, conhece bem a importância da Ponte Marechal Carmona. Antiga bancária da Caixa Geral de Depósitos, actualmente em situação de pré-reforma, utilizou durante muitos anos aquela ligação para se deslocar até Lisboa, onde trabalhava. Apesar de já não fazer diariamente esse percurso por motivos profissionais, continua a depender da travessia para assegurar as deslocações do filho, de 15 anos, que frequenta o ensino secundário em Arruda dos Vinhos. Uma das soluções habituais passava por levá-lo a Vila Franca de Xira para apanhar o autocarro. Com os actuais congestionamentos, cumprir os horários tornou-se mais complicado.
A moradora relata que, num dos dias, quando regressava de Vila Franca de Xira para Samora Correia, pouco depois das 7h00 da manhã, encontrou uma fila de trânsito que já se prolongava para além da zona do Gado Bravo. “Isto é incomportável”, afirma, acrescentando que passou a recorrer à Ponte das Lezírias nas deslocações para Arruda dos Vinhos. Sara Braz está particularmente preocupada com as condições de segurança da circulação. Segundo relata, os camiões atravessam a ponte com dificuldades, havendo mesmo veículos pesados que circulam com os espelhos retrovisores recolhidos para facilitar o cruzamento.
A possibilidade de ocorrer um acidente ou uma emergência é outra das suas preocupações. A residente recorda que a população do concelho de Benavente depende também da ligação a Vila Franca de Xira para aceder ao hospital, questionando como poderá ser assegurada uma resposta rápida numa situação grave, perante os congestionamentos existentes.
A antiga bancária enviou reclamações às Câmaras de Benavente e de Vila Franca de Xira, defendendo que as entidades responsáveis, das quais faz parte a Infraestruturas de Portugal (IP), devem procurar alternativas para minimizar os transtornos. Considera ainda que a utilização da Ponte das Lezírias implica encargos significativos para os automobilistas e para as empresas de transportes, pelo que a isenção de portagens seria uma medida importante.
Queixas multiplicam-se nas redes sociais
Os testemunhos recolhidos por O MIRANTE encontram eco nas dezenas de comentários publicados nas redes sociais por automobilistas que utilizam diariamente a Recta do Cabo. Tânia Reis relata ter demorado 56 minutos a percorrer a distância entre o Porto Alto e a entrada da A1, em Vila Franca de Xira. “As obras são necessárias. O que é inadmissível é a falta de planeamento e de alternativas para quem depende diariamente desta travessia”, escreveu, acrescentando que já apresentou reclamações às autarquias, juntas de freguesia e Infraestruturas de Portugal.
Vânia Freixo Mussagy descreve uma deslocação de 55 minutos entre Samora Correia e Vila Franca de Xira, depois de ter saído de casa às 7h20. Maria Abreu conta que precisou de uma hora e dez minutos para fazer o percurso até Vila Franca de Xira, onde tinha uma consulta médica, à qual acabou por chegar atrasada.
Há ainda quem relate demoras superiores. Uma automobilista afirma ter levado uma hora e quinze minutos entre Samora Correia e Vila Franca de Xira, enquanto outra utilizadora descreve uma viagem de quase duas horas desde Salvaterra de Magos. Alguns automobilistas defendem mesmo a suspensão temporária da circulação de veículos pesados durante os trabalhos, enquanto outros reclamam uma solução urgente para as filas que se acumulam diariamente.
Numa exposição enviada à redacção de O MIRANTE, Marco Pereira, residente no concelho de Benavente, afirma que uma deslocação entre Samora Correia e Vila Franca de Xira, habitualmente realizada em cerca de 15 minutos, pode actualmente demorar 90 minutos.
Benavente já tinha pedido isenção de portagens
A possibilidade de suspender temporariamente o pagamento de portagens durante as obras não é uma reivindicação nova. Em Junho, a Câmara de Benavente solicitou ao Governo a isenção de portagens nas auto-estradas A1, A10 e A13, precisamente para minimizar os impactos da intervenção na Ponte Marechal Carmona. A presidente da autarquia, Sónia Ferreira, defendeu, em alternativa à isenção total, a suspensão da cobrança durante as horas de ponta, entre as 7h00 e as 10h00 e entre as 16h30 e as 19h30.


