Sociedade | 24-10-2026 18:00

Incêndios no Médio Tejo triplicam área ardida apesar de eficácia de 99,6% no combate inicial

Incêndios no Médio Tejo triplicam área ardida apesar de eficácia de 99,6% no combate inicial
Médio Tejo registou 282 incêndios rurais até 15 de Outubro, que consumiram cerca de 400 hectares - foto arquivo O MIRANTE

Médio Tejo registou 282 incêndios rurais desde o início do ano, mais 76 do que em 2025, e viu a área ardida aumentar de 113 para cerca de 400 hectares, muito graças ao fogo de Mouriscas. Apesar do agravamento dos números, a Protecção Civil destaca uma taxa de sucesso de 99,6% no ataque inicial às chamas.

O Médio Tejo teve um dos anos mais exigentes no combate aos incêndios rurais, mas conseguiu controlar praticamente todas as ocorrências nos primeiros 90 minutos. Das 282 ignições registadas nos 11 concelhos da região, apenas uma ultrapassou esse período de resolução. Os números foram apresentados em Torres Novas pelo comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil, David Lobato, que classificou 2026 como um “ano de excelência”, apesar do aumento significativo da área ardida. Segundo o balanço, com dados até 15 de Outubro, a região registou mais 76 incêndios do que em 2025, enquanto a área consumida pelas chamas passou de 113 para cerca de 400 hectares. O incêndio mais grave ocorreu a 22 de Agosto, em Mouriscas, no concelho de Abrantes, onde arderam cerca de 301 hectares. A ocorrência teve origem intencional e obrigou à mobilização de centenas de operacionais, apoiados por meios terrestres e aéreos.
Abrantes foi o concelho mais castigado pelas chamas, com cerca de 326 hectares ardidos, seguido de Mação, com 34,5 hectares. Em número de ocorrências, Ourém liderou com 65 incêndios, seguindo-se Abrantes, com 63, e Tomar, com 56. David Lobato atribuiu a elevada eficácia do combate à rapidez da resposta, ao pré-posicionamento estratégico dos meios e à mobilização de recursos logo nas primeiras ignições. Na fase de maior empenhamento, o dispositivo contou com 448 operacionais e 135 veículos.
Um dos dados mais preocupantes do balanço prende-se com a responsabilidade humana na origem dos incêndios. Das 282 ocorrências, 149 foram atribuídas a negligência, correspondendo a 53% do total, e 85 tiveram origem intencional, representando outros 30%. No conjunto, estas duas causas estiveram associadas a 234 incêndios. David Lobato reconheceu a gravidade dos números e defendeu um reforço da sensibilização e formação da população, sobretudo no que respeita à realização de queimas e queimadas. Quanto aos incêndios intencionais, destacou a importância da investigação policial, admitindo maiores dificuldades na prevenção.

Falta de bombeiros ameaça capacidade de resposta
Apesar dos resultados positivos, o comandante sub-regional identificou a escassez de recursos humanos como a principal fragilidade do dispositivo de combate a incêndios. A dificuldade em mobilizar reforços, associada ao prolongamento dos períodos de maior risco, está a colocar uma pressão crescente sobre os corpos de bombeiros. “Temos de pensar definitivamente na carreira dos bombeiros. Tem de ser uma profissão apelativa e, neste momento, julgo que não é”, alertou David Lobato, defendendo medidas que permitam atrair e fixar profissionais.

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