Sociedade | 24-10-2026 12:00

Professores e antigos alunos reencontram-se nos 50 anos da Reynaldo dos Santos

Professores e antigos alunos reencontram-se nos 50 anos da Reynaldo dos Santos
Actuais autarcas do município de VFX também passaram pelos bancos da Reynaldo dos Santos - foto O MIRANTE

Antigos alunos que regressaram como professores, docentes que recordam uma vida dedicada ao ensino e uma funcionária que se despediu este ano após 43 anos de serviço marcaram a celebração dos 50 anos da Escola Professor Reynaldo dos Santos. A gala contou com mais de 300 pessoas que recordaram histórias passadas no estabelecimento de ensino de Vila Franca de Xira.

Mais de três centenas de convidados, entre antigos e actuais professores, ex-alunos e antigos funcionários, juntaram-se para celebrar meio século de história da Escola Professor Reynaldo dos Santos, numa gala-jantar na Quinta do Alto, em Montegordo. Entre memórias de outros tempos e o entusiasmo de quem agora frequenta a escola, o encontro reuniu várias gerações ligadas ao estabelecimento de ensino de Vila Franca de Xira.
Julieta Cordas, professora de Inglês há 43 anos e docente na escola há quase 35, e Margarida Lopes fazem parte da comissão organizadora do evento. Ao longo do ano, o cinquentenário foi assinalado com seminários em que antigos alunos partilharam os seus percursos com os estudantes actuais. A comemoração culminou com o jantar realizado no sábado, 17 de Outubro.
A história da escola remonta a 1958/1959, quando foi criado o Colégio Dr. Sousa Martins. Em Novembro de 1971, passou a funcionar como secção do Liceu Padre António Vieira e, em 1976, ganhou autonomia como escola pública, com a designação de Escola Secundária n.º 2 de Vila Franca de Xira. As instalações no Bom Retiro foram inauguradas em 1980 e, em 1986/1987, a escola adoptou o nome de Professor Reynaldo dos Santos.
“Hoje a escola é um bocadinho diferente do que foi, mas estamos a adaptar-nos, porque temos de nos adaptar à realidade. O tecido dos alunos e dos professores mudou muito, mas é uma escola com muitos projectos e uma grande comunicação com os encarregados de educação. Temos muitos alunos que são filhos de alunos e até tenho alunos cujos avós já foram meus alunos”, referiu Julieta Cordas a O MIRANTE.

Ensinar por prazer
Com 94 anos, António Carvalho recorda o tempo em que dava aulas de Biologia e Geologia no antigo Colégio Sousa Martins. Depois de se reformar, continuou a dar aulas durante mais seis anos, mas, aos 70 anos, teve de abandonar a docência por imposição legal. Ainda hoje conversa com antigos alunos quando os encontra na rua. “O professor era uma entidade respeitada. Hoje em dia não é tanto assim, é diferente”, observa.
O gosto pelo ensino acompanhou-o ao longo de toda a carreira. “Uma das coisas que eu dizia quando estava a dar aulas é que era como se estivesse de férias. E as pessoas perguntavam: ‘Mas o que é isto, estar de férias?’ É que uma pessoa, quando está de férias, está a fazer qualquer coisa de que gosta. Portanto, eu estava a dar aulas com prazer”, relata ao jornal.
Sentada ao lado está Maria Manuela, de 88 anos, antiga professora de Matemática. Também ela recorda o ensino com gosto e a liberdade com que procurava dar as aulas. “Nunca era muito agarrada aos conceitos, embora os cumprisse. Agora não sei se as pessoas se agarram muito aos programas e têm receio de resvalar a dar aulas”, diz.
Rosa Carolino, de 65 anos, reformou-se este ano, depois de 43 anos como funcionária da Reynaldo dos Santos. A despedida da escola deixa-lhe sentimentos mistos, entre a nova etapa da vida e as memórias de mais de quatro décadas de trabalho. As melhores recordações são as dos alunos do ensino nocturno, tanto dos cursos gerais como do 12.º ano, alguns dos quais com carreira na Marinha, Exército ou na Força Aérea. “Éramos uma família”, recorda, evocando as brincadeiras e a cumplicidade que marcaram aqueles anos.
Ao longo de mais de quatro décadas, também assistiu a mudanças na relação entre a escola, os alunos e as famílias. “Os pais mudaram muito. Já os alunos, se os soubermos levar e falar com eles, temos o que queremos deles e eles de nós”, considera. As condições de trabalho das funcionárias também evoluíram. Antigamente, era necessário encerar os pavimentos, enquanto hoje os materiais e as instalações facilitam as tarefas de limpeza. Ainda assim, Rosa Carolino manifesta apoio às greves e às reivindicações dos assistentes operacionais.

Uma escola de pais e filhos
Noutra mesa está Nuno Moreira, 50 anos, antigo aluno e agora professor de Audiovisuais na Reynaldo Santos. Ao recordar os tempos de estudante, lembra-se de ter partido um braço na escola, a jogar à bola. Hoje, encontra uma realidade muito diferente daquela que conheceu, mas reconhece que a ligação entre professores e alunos permanece. “Estou a dar aulas há um mês e meio, dois meses. E tem sido uma boa experiência. Espectacular, é aquilo que eu queria. Voltar a casa é fantástico”, afirma, satisfeito por regressar à escola agora no papel de professor.
Gonçalo Branco, 17 anos, é um dos seus alunos e ficou encarregado de fotografar a gala. Recém-chegado à Reynaldo Santos, diz estar a adorar o curso e ter sido surpreendido pelo gosto pela fotografia. Da escola, destaca a simpatia dos funcionários e dos professores, bem como o espírito de entreajuda.
A vice-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Marina Tiago, também docente do quadro da Reynaldo Santos, levou uma mensagem do presidente da autarquia, Fernando Paulo Ferreira, antigo aluno da escola, que não pôde estar presente devido a compromissos oficiais. “Foi na Reynaldo que comecei a experimentar os embates da democracia e onde perdi as primeiras eleições em que me apresentei para a Associação de Estudantes. (…) Foram dos melhores anos da minha vida, e muitos dos meus amigos continuam a ser os da Reynaldo dos Santos. E, com o passar dos anos, também acabei por ter a sorte de ver os meus dois filhos alunos da Reynaldo, onde foram felizes e conseguiram preparar-se para as universidades que frequentaram e estão a acabar”, recordou, numa mensagem lida durante a gala.
Entre os antigos alunos que seguiram percursos na política marcaram presença Pedro Folgado, ex-presidente da Câmara de Alenquer, Sandra Marcelino, presidente da assembleia municipal e David Pato Ferreira, actual vereador no município de Vila Franca de Xira. A jornalista Conceição Lino também foi aluna assim como alunos mais recentes e que se têm destacado como investigadores, fora do país, médicos e até um ex-aluno que trabalha na NASA, nos Estados Unidos. A gala pautou-se sobretudo pelo convívio e contou ainda com sorteios, actuações de sevilhanas, música e DJ.

António Carvalho e Maria Manuela - foto O MIRANTE
Margarida Lopes e Julieta Cordas - foto O MIRANTE
Nuno Moreira - foto O MIRANTE
Rosa Carolino - foto O MIRANTE
Gonçalo Branco - foto O MIRANTE

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