Sociedade | 24-10-2026 19:00

Protocolo de 30 mil euros para Universidades Seniores gera debate na Chamusca

idosos a caminhar no parque
foto ilustrativa

Novo protocolo da RUSCHA aumenta para 30 mil euros o apoio anual às freguesias, mas a atribuição do mesmo valor a realidades diferentes levantou críticas na Assembleia Municipal da Chamusca.

O novo modelo de apoio às Universidades Seniores do concelho da Chamusca provocou um dos debates mais prolongados da assembleia municipal. Em causa está o protocolo da Rede de Universidades Seniores da Chamusca (RUSCHA), que passa a prever uma transferência anual de 30 mil euros para cada freguesia, verba que deixa de estar limitada aos custos efectivamente suportados com o coordenador técnico. Até agora, o protocolo previa um apoio máximo de 25 mil euros por ano lectivo, essencialmente destinado a suportar os encargos com o coordenador técnico e dependente das despesas efectivamente realizadas. O novo modelo apresentado pelo executivo municipal aumenta a verba para 30 mil euros e determina o seu pagamento integral, permitindo que o dinheiro seja utilizado também noutras necessidades relacionadas com o funcionamento das Universidades Seniores.
O presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira, explicou que a solução foi discutida previamente com todos os presidentes de junta de freguesia e que houve concordância relativamente ao modelo proposto. Para o executivo, o novo protocolo representa um reforço efectivo dos meios disponibilizados às juntas e parte do princípio de que um coordenador por freguesia é suficiente para assegurar o acompanhamento das actividades.
A proposta, no entanto, esteve longe de reunir consenso. Uma das principais críticas incidiu sobre a atribuição do mesmo valor a todas as freguesias, independentemente do número de estruturas, alunos ou encargos existentes. Foram apontados os exemplos da União de Freguesias de Chamusca e Pinheiro Grande e da União de Freguesias de Parreira e Chouto, onde existem mais do que uma estrutura ligada às Universidades Seniores. Durante o debate foi defendido que, nesses casos, o apoio deveria subir para 45 mil euros, por se considerar que a igualdade do montante atribuído não traduz necessariamente uma situação de equidade perante realidades diferentes. As dúvidas estenderam-se ainda aos critérios exigidos para a qualificação dos coordenadores, à articulação entre o protocolo e as normas de funcionamento da RUSCHA e à definição do denominado “tronco comum”. Foram também levantadas questões sobre o período de dez meses utilizado em alguns dos cálculos e sobre a autonomia pedagógica e cultural das diferentes Universidades Seniores.
O executivo manteve a defesa do modelo, sublinhando que o aumento de 25 para 30 mil euros dá às freguesias maior margem para responder às necessidades de cada estrutura, sem restringir a verba exclusivamente aos encargos com os coordenadores. O protocolo acabou aprovado embora com votos contra e abstenções.

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