Sociedade | 24-10-2026 19:00

Santarém recuperou seis quilómetros de linhas de água com ajuda da população

Santarém recuperou seis quilómetros de linhas de água com ajuda da população

Iniciativa "Reabilitar Troço a Troço" já possibilitou a recuperação de seis quilómetros de linhas de água no concelho de Santarém. Projecto tem como principal factor diferenciador o envolvimento directo das populações.

Santarém reabilitou 26 troços de linhas de água, num total de 6.000 metros, abrangendo 70% das freguesias do concelho, através do projecto "Reabilitar Troço a Troço", iniciativa que a autarquia considera pioneira na recuperação dos ecossistemas ribeirinhos. Em declarações à Lusa, a chefe da Divisão de Ambiente e Sustentabilidade da Câmara de Santarém, Maria João Cardoso, afirmou que o projecto, criado em 2010, colocou o concelho "na linha da frente das políticas públicas ambientais", antecipando exigências que só recentemente passaram a integrar a agenda europeia. "Temos um projecto com 16 anos que já estava a implementar aquilo que hoje está traduzido no regulamento europeu do restauro da natureza", disse.
A mais recente acção decorreu na Ribeira do Mergulhão, uma linha de água urbana integrada na bacia hidrográfica da Ribeira das Fontainhas, sujeita a diversas pressões associadas à actividade humana. Segundo Maria João Cardoso, o principal factor diferenciador da iniciativa é o envolvimento directo das populações na recuperação das linhas de água. O objectivo passa não só pela recuperação física destes espaços, mas também por aproximar novamente as pessoas dos ecossistemas ribeirinhos.
"Nós queremos inverter o que se tem passado nas últimas décadas, que é afastar o ser humano das linhas de água", afirmou, considerando que muitas intervenções urbanísticas foram historicamente pensadas de costas voltadas para rios e ribeiras, contribuindo para a sua degradação e para o afastamento da população. O projecto assenta na aplicação de técnicas de engenharia natural destinadas a combater a erosão e a estabilizar margens, recorrendo à plantação de árvores e arbustos autóctones, estacaria de salgueiro, entrançados vegetais e outras soluções baseadas na natureza.
Paralelamente, uma equipa multidisciplinar da autarquia monitoriza a evolução dos habitats e das espécies presentes antes e depois das intervenções. "Os resultados são fantásticos", afirmou Maria João Cardoso, sustentando que o projecto tem conseguido cumprir a sua missão de conservar espécies e restaurar habitats degradados. O projecto já recebeu reconhecimento nacional, através de um prémio da plataforma "ODSlocal", e foi também seleccionado para uma "short list" dos prémios europeus da iniciativa New European Bauhaus.
Paralelamente às ações de reabilitação, a autarquia tem vindo a instalar painéis informativos designados "BioRhios", que identificam as espécies existentes em cada troço intervencionado e permitem aos visitantes aceder a informação adicional através de códigos QR. Maria João Cardoso salientou ainda que algumas das espécies identificadas nos locais reabilitados possuem "estatutos de conservação relevantes", apontando como exemplos a boga-arqueada-de-Lisboa, espécie em perigo e o lagarto-de-água, considerado vulnerável.
A próxima intervenção está prevista para 7 de Novembro, na Ribeira da Belida, afluente da Ribeira de Cabanas, elevando para 27 o número de troços abrangidos pelo projecto até ao final do ano.

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