Sociedade | 24-10-2026 12:25

Torres Novas prepara declaração de nulidade para travar projecto de biometano em Árgea

Torres Novas prepara declaração de nulidade para travar projecto de biometano em Árgea

Município prepara iniciativa jurídica para contestar instalação da unidade de biometano em Árgea, um investimento de 18 milhões de euros contestado pelas populações. Presidente da autarquia diz que não vai ficar à espera de uma decisão da Agência Portuguesa do Ambiente para agir.

O presidente da câmara, José Trincão Marques (PS), anunciou que pretende levar ao executivo municipal, no início de Novembro, uma proposta de declaração de nulidade de um acto administrativo relacionado com o projecto de instalação de uma unidade de biometano em Árgea. A decisão surge numa altura em que continua por conhecer a posição definitiva da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e em que moradores e autarcas mantêm a oposição à localização escolhida para a infraestrutura.

O autarca garante que a iniciativa não depende de qualquer decisão da APA e que a matéria já foi analisada por especialistas em direito administrativo. “Vamos, de qualquer das maneiras, fazer essa declaração de nulidade”, afirmou na reunião pública de 19 de Outubro, sem especificar qual o acto administrativo que pretende ver declarado nulo.

José Trincão Marques continua a defender que o terreno escolhido, na localidade de Árgea, União das Freguesias de Olaia e Paço “não oferece condições para a instalação da unidade de biometano”.

O assunto voltou à discussão por iniciativa do presidente da Junta de Freguesia de Olaia e Paço, Rui Nunes, que exigiu esclarecimentos sobre o andamento do processo, os prazos administrativos e a possibilidade de o projecto beneficiar de um deferimento tácito. José Trincão Marques afastou esse cenário, assegurando que não existem prazos dessa natureza a decorrer e defendendo que a eventual nulidade de um acto impede a produção de efeitos jurídicos válidos.

A autarquia continuava, à data da reunião, sem receber novas informações da APA relativamente ao procedimento de licenciamento ambiental. Apesar dessa indefinição, o presidente da câmara assegurou que a proposta será apresentada numa das próximas reuniões do executivo, independentemente da resposta da entidade ambiental.

Investimento de 18 milhões contestado

O projecto é promovido pela Gasdaterra – Sociedade de Reconversão de Resíduos Agrícolas em Energia e representa um investimento estimado em 18 milhões de euros. A unidade prevê transformar resíduos orgânicos e efluentes pecuários em biometano, através de um processo de digestão anaeróbia, com capacidade para tratar cerca de 100 mil toneladas de resíduos por ano. Os moradores receiam a libertação de odores, o aumento da circulação de veículos pesados, possíveis impactos nos recursos hídricos e a degradação da qualidade de vida.

Em Junho, a Assembleia Municipal de Torres Novas aprovou por unanimidade posições contrárias à localização proposta. A Quercus também se pronunciou contra a instalação da unidade naquele local, no âmbito da consulta pública promovida pela APA.

Do outro lado, a empresa promotora sustenta que os impactos ambientais foram estudados e que estão previstas medidas de controlo de odores e protecção dos recursos naturais. A Gasdaterra defende ainda que a unidade permitirá valorizar resíduos agrícolas e pecuários e contribuir para a produção de energia renovável.

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