Sociedade | 25-10-2026 18:00

Aluna de Alverca foi astronauta por um dia e desafiou a gravidade

Aluna de Alverca foi astronauta por um dia e desafiou a gravidade
Rita Ribeiro é natural de Alverca e já há muito sonhava participar no programa da Agência Espacial Portuguesa - foto O MIRANTE

Agência Espacial Portuguesa deu a oportunidade de 35 jovens de todo o país de voarem em condições de micro-gravidade num avião, simulando as condições em que vivem os astronautas na Estação Espacial Internacional. Rita Ribeiro, de Alverca, apaixonada por engenharia aeroespacial, foi uma das participantes.

Rita Ribeiro, estudante de 17 anos de Alverca, esteve entre os 35 jovens seleccionados a nível nacional para integrar o programa “Astronauta por um Dia”, que deu a alunos de todo o país a possibilidade de sentirem como é estar sem gravidade. Foi escolhida entre mais de 700 candidatos. A aluna do Colégio José Álvaro Vidal, de Alverca, está a frequentar o 12.º ano de Ciências e Tecnologias e viveu uma experiência reservada a muito poucos: sentir a ausência de gravidade a bordo de um avião Airbus preparado para simular, durante breves instantes, as condições vividas pelos astronautas. “Foi uma experiência fabulosa e que me vai acompanhar para o resto da vida. Sempre fui uma pessoa proactiva, à procura de projectos para fazer”, conta a O MIRANTE.
A aventura da Agência Espacial Portuguesa surgiu através da sua professora de Química, que a desafiou a candidatar-se. O processo de selecção foi dividido em quatro fases. Primeiro, os candidatos tiveram de gravar um vídeo de 45 segundos para explicar a sua motivação e o que fariam enquanto embaixadores do programa. Seguiram-se testes online de raciocínio espacial e memória, uma prova física exigente e, por fim, uma entrevista.
Entre centenas de candidatos, Rita Ribeiro conseguiu um lugar entre os escolhidos e foi a única representante do concelho de Vila Franca de Xira. Para uma jovem que cresceu em Alverca e que ainda está a decidir o rumo académico e profissional que pretende seguir, a selecção representou também a confirmação de que vale a pena procurar oportunidades e insistir.

Quatro dias até à microgravidade
A aventura decorreu ao longo de quatro dias nos Açores. Os primeiros três foram dedicados à preparação, ao contacto com os restantes participantes e à aprendizagem das regras e dos procedimentos necessários para o voo. Os jovens foram divididos em quatro equipas, cada uma acompanhada por um instrutor. “Estava um bocadinho nervosa, só que queria tanto fazer aquele voo, queria tanto que corresse bem que a ansiedade acabou por passar”, relata.
No quarto dia chegou o momento de embarcar no avião. A aeronave realiza uma sequência de trajectórias parabólicas que permitem criar períodos curtos de microgravidade, durante os quais os passageiros experimentam a sensação de ausência de peso. Ao longo dessas manobras, o corpo alterna entre momentos em que parece pesar mais do que o habitual e outros em que os movimentos se tornam surpreendentemente leves.
Para Rita Ribeiro a sensação é difícil de comparar com qualquer experiência do quotidiano, mas encontra uma imagem familiar para a descrever. “É quase como quando estamos num carro e, a seguir, há uma descida muito abrupta. Ficamos com o estômago a flutuar um bocadinho”, explica. São segundos que passam depressa mas que deixam uma impressão duradoura.
Embora frequente Ciências e Tecnologias, a jovem não se limita ao universo científico. Fora da escola tem aulas de canto, toca piano, joga xadrez e gosta de cozinhar. As artes também ocupam um lugar importante nos seus interesses, a par da Matemática, da Física e da Química. A curiosidade pelo espaço já a tinha levado, há alguns anos, à Faculdade de Ciências, onde participou num curso sobre pintura de galáxias. A Engenharia Aeroespacial passou a ser uma das opções que considera para a faculdade. Mas não é a única. A Engenharia Química também desperta o seu interesse.
Se tivesse de deixar uma mensagem a outros jovens que ponderam candidatar-se ao programa ou participar em iniciativas semelhantes, Rita Ribeiro não hesitaria: não é necessário frequentar um curso específico nem ter todo o futuro planeado para aproveitar uma oportunidade. “Não importa se estamos em Artes, Humanidades, Ciências e Tecnologias, há sempre uma oportunidade de seguirmos os nossos sonhos, de seguirmos aquilo de que realmente gostamos”, conclui.

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