Sociedade | 25-10-2026 07:00

Moradores de Vila Franca de Xira pedem melhorias nos horários dos autocarros

Moradores de Vila Franca de Xira pedem melhorias nos horários dos autocarros
Catarina Rosa - foto CM VFX

Estudantes com baixa frequência de viaturas aos fins-de-semana e moradores de aldeias com poucos horários durante a semana têm-se queixado da rede de transportes públicos em Vila Franca de Xira. Presidente da câmara admite que são necessárias melhorias e vai encaminhar queixas para as empresas.

Os horários dos autocarros da Carris Metropolitana e da Boa Viagem que servem várias aldeias do concelho de Vila Franca de Xira, em particular durante a semana de madrugada e aos fins-de-semana, ainda estão longe de responder às necessidades da comunidade e recentemente voltaram a ouvir-se queixas de moradores sobre o assunto. Um dos exemplos foi deixado em reunião de câmara de Vila Franca de Xira por Catarina Rosa, moradora de Trancoso (São João dos Montes), que lamenta o final, em Setembro do ano passado, da carreira da Boa Viagem que lhe permitia chegar a horas ao emprego no Campo Grande, em Lisboa.
“Vinha muita gente nessa carreira que me permitia sair em Alverca para apanhar o comboio regional para Lisboa e entrar às 08h00 no trabalho. Agora este novo autocarro só chega a Alverca às 07h30, e isso é só para quem tem horário de funcionário público. Esqueceram-se de quem vive na província”, criticou. A situação tem obrigado Catarina Rosa a comprar um passe alternativo para ir para Lisboa que, ao invés do Navegante de 40 euros, lhe custa agora 100 euros. “Apanho o autocarro às 05h30 da manhã e tenho de percorrer cinco concelhos para chegar ao trabalho: VFX, Arruda, Loures, Odivelas e Lisboa e depois uma bela caminhada para antes das 07h00 estar no Campo Grande. Por favor, intercedam junto da Boa Viagem para melhorar isto”, apelou.
Também Ruben Matos, que vive na Quinta da Grinja, em Vila Franca de Xira, lamentou a falta de oferta de autocarros, no caso, da Carris Metropolitana aos domingos. Segundo o morador, a linha 23-31, durante a semana, opera de meia em meia hora e ao sábado de hora a hora. Mas ao domingo só passa cinco vezes ao dia. “Transporta 60 mil pessoas por mês e passa cinco vezes ao dia ao domingo. Não se percebe por que motivo isto acontece. É preciso que haja sinergias da parte da câmara com a empresa para melhorar isto. Vejo pessoas a andar ao sol e à chuva ao domingo por não haver autocarro”, lamentou.
Também a linha 28-42, que faz VFX- Campo Grande, tem sofrido desde que a Boa Viagem acabou com a carreira directa, afirmou. “Este autocarro mal existe ao fim-de-semana quando não existem comboios para Alcântara-Terra. Acabou o serviço ao fim de semana. Passa uma vez por dia ao domingo, não tenho comboio, tenho de fazer três transbordos para chegar à cidade universitária. A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) disse-me que não tem procura”, criticou.
O presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), notou que desde a entrada em funcionamento da Carris Metropolitana - para a qual o município contribui anualmente com 2 milhões e 800 mil euros - houve uma grande evolução no transporte público no concelho, mesmo nas zonas rurais, mas reconheceu que em algumas situações a oferta ainda não é a ideal. “Temos conseguido alterações à medida que as pessoas nos fazem chegar questões particulares”, notou o autarca, que lembrou que muitas vezes o que está em causa é a interligação entre os serviços da Boa Viagem e da Carris Metropolitana.
Fernando Paulo Ferreira diz ter tomado nota de várias reclamações no concelho para as encaminhar para a Comunidade Intermunicipal do Oeste, que trata dos acertos de horário com as operadoras. Já sobre os autocarros aos domingos da Carris Metropolitana, o presidente da câmara diz que inicialmente esse serviço nem existia e foi criado por insistência da câmara.

Ruben Matos - foto CM VFX

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