Autocolantes de movimentos de extrema-direita geram polémica nos Bombeiros de Alverca
Queixa apresentada por morador fala em símbolos do Grupo 1143, mensagens ultranacionalistas e a inscrição "Portugal aos verdadeiros Portugueses" em cacifos do quartel. Associação já veio garantir que não tolera racismo ou xenofobia e diz que os autocolantes já foram removidos.
A associação dos Bombeiros Voluntários de Alverca do Ribatejo forçou a retirada dos autocolantes associados a grupos de extrema-direita, incluindo referências de cariz neo-nazi, depois de receberem uma denúncia sobre a presença destes elementos em cacifos do quartel. A situação foi denunciada por Jorge Cartucho na sequência da iniciativa “Quartel Aberto”, realizada no dia 18 de Outubro, onde a população foi convidada a visitar o espaço.
Na exposição enviada à associação, a que O MIRANTE teve acesso, o denunciante relata ter recebido fotografias que mostram vários autocolantes na porta de um cacifo. Entre os elementos visíveis, destaca dois autocolantes atribuídos ao Grupo 1143, que identifica como um "grupo criminoso, neonazi e violento", além de outros autocolantes de cariz ultranacionalista e alusivos a claques de futebol.
A denúncia refere ainda a existência, noutro cacifo, de um autocolante com a inscrição “Portugal aos verdadeiros Portugueses”.
Na queixa, Jorge Cartucho considera preocupante a presença de símbolos desta natureza nas instalações de uma corporação de bombeiros, cuja missão passa pela prestação de socorro à população sem distinção de origem, etnia, nacionalidade ou condição social. O denunciante questiona se a presença dos autocolantes seria conhecida pelos restantes bombeiros, pelas chefias e pelo Comando, e se existiria alguma tolerância relativamente às mensagens neles representadas.
“Acharam isto normal, aceitável e igual a tantos outros emblemas de clubes e associações recreativas? Estará o comando dos B.V.A. também alinhado com estas ideias?”, questiona o morador. O autor da denúncia levantou igualmente questões sobre o impacto que a situação poderá ter tido nos bombeiros pertencentes a minorias étnicas, nomeadamente colegas negros, bem como na percepção dos cidadãos que visitaram o quartel durante a iniciativa “Quartel Aberto”.
Associação alega desconhecimento
A polémica já levou a instituição a emitir um comunicado, assinado em conjunto pelo comando e pela direcção, rejeitando que a situação represente o ambiente vivido na instituição ou os princípios pelos quais a corporação se rege.
“Os Bombeiros Voluntários de Alverca do Ribatejo pautam a sua actuação pelos princípios da solidariedade, da igualdade, do respeito pela dignidade humana e da prestação de socorro a todos os cidadãos, sem qualquer distinção de origem, etnia, nacionalidade, religião ou condição social”, afirmam os responsáveis.
A associação acrescenta que não se revê em manifestações de racismo, xenofobia ou apologia de ideologias extremistas que contrariem esses valores. Relativamente aos autocolantes identificados na denúncia, os responsáveis esclarecem que, até à recepção da comunicação, não se tinham apercebido da sua existência, acrescentando que a situação não corresponde à realidade que reconhecem como sendo o ambiente vivido diariamente no quartel, nem à postura do bombeiro identificado na exposição.
A associação considera, por isso, necessário distinguir a existência de elementos afixados num espaço individual da eventual aceitação ou validação dos mesmos pela instituição. Na sua resposta, sustenta que não é legítimo presumir, com base nesse facto, a concordância dos restantes bombeiros, da Direcção ou do Comando.
* Notícia desenvolvida na edição impressa de O MIRANTE


