Sociedade | 26-10-2026 07:00

Mateus Mendes vai responder na justiça por agressão e acusa FC Alverca de falta de apoio

Mateus Mendes vai responder na justiça por agressão e acusa FC Alverca de falta de apoio
Mateus Mendes, brasileiro vindo do Palmeiras, integrava o plantel do Alverca B desde a última época - foto DR

Guarda-redes brasileiro foi dispensado pelo clube ribatejano depois de agredir Nuno Viana, jogador do Oliveira do Hospital, no final de um encontro do Campeonato de Portugal. O atleta garante ter sido chamado de “macaco” e “preto sujo”, pede desculpa pela reacção violenta e critica a falta de solidariedade do FC Alverca.

A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) anunciou que irá remeter ao Ministério Público a informação recolhida sobre os acontecimentos envolvendo o ex-jogador do FC Alverca B, Mateus Mendes, para que as autoridades judiciárias avaliem os factos e determinem os procedimentos adequados. A comunicação diz respeito à violência registada no final do jogo entre o Alverca B e o Oliveira do Hospital.
O encontro, disputado no domingo, 11 de Outubro, acabou em violência depois do guarda-redes brasileiro, de 24 anos, ter agredido um adversário no final da partida, em que o Alverca perdeu o jogo por 3-1, e viu o seu contrato rescindido pelo clube ribatejano. Na sequência do caso o jogador veio a público denunciar alegados insultos racistas e xenófobos e acusar o Alverca de falta de apoio perante uma situação que, garante, ultrapassa os limites do desporto.
Mateus Mendes pede desculpa aos antigos colegas de equipa e à estrutura do Alverca pela sua conduta, reconhecendo a gravidade dos acontecimentos. Ainda assim, manifestou profunda desilusão com a decisão do clube de rescindir o contrato e com aquilo que considera ter sido a ausência de solidariedade perante a denúncia de racismo. “Peço desculpas aos meus companheiros e equipa, mas imaginei que um clube como o FC Alverca seria minimamente mais solidário à causa [da luta contra o racismo]”, criticou.
O atleta brasileiro fez ainda referência a Vinícius Júnior, jogador associado ao grupo de investidores da SAD do Alverca e uma das figuras mais conhecidas na denúncia de episódios de racismo no futebol internacional. “Devo lembrar que o accionista principal do clube se chama Vinícius Júnior? Que sofreu na pele (e por conta da sua pele) tudo o que passei nesse fim de semana? A ironia está nos detalhes e é uma pena que ainda sejamos surpreendidos por isso”, criticou.
O episódio, recorde-se, ocorreu no Estádio Municipal de Tábua, na partida referente à quinta jornada da Série 3 do Campeonato de Portugal. Depois do apito final, Mateus Mendes correu rumo ao jogador do Oliveira do Hospital, Nuno Viana, agredindo-o com um soco na cabeça, seguindo-se outros murros e pontapés, segundo os relatos e vídeos divulgados. O atleta da formação beirã sofreu ferimentos, incluindo um hematoma, e teve de receber assistência médica.
As imagens da agressão circularam nas redes sociais e motivaram uma reacção do Alverca, que confirmou, no dia seguinte, o fim do vínculo contratual com o guarda-redes. O jogador representava o clube desde a época anterior, inicialmente por empréstimo do Palmeiras, mas nunca chegou a estrear-se oficialmente pela equipa principal.

Oliveira do Hospital desmente jogador
Depois de o Alverca anunciar a rescisão, Mateus Mendes explicou que, por volta do minuto 94, foi alvo de insultos racistas e xenófobos por parte de um jogador adversário. Segundo o próprio, ouviu expressões como “macaco”, “preto sujo” e “volta para a tua terra”, entre outras alegadas ofensas. O brasileiro garante que existem testemunhas do sucedido e lamenta que, apesar de várias pessoas terem visto ou ouvido o que se passou, ninguém tenha intervindo. “Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram)”, escreveu.
Mateus Mendes afirma que os alegados insultos foram o culminar de mais de uma década de experiências semelhantes em campos de futebol, tanto no Brasil como no estrangeiro. O guarda-redes acrescentou que a sua reacção aconteceu depois de acumular experiências que considera inaceitáveis, embora reconheça que a violência que exerceu não pode ser justificada pelas ofensas que afirma ter ouvido.
O Oliveira do Hospital já veio rejeitar as acusações de racismo e xenofobia e lembrou que uma versão “publicamente divulgada não é um facto demonstrado” e lembra que terá de provar, “em sede própria, o que alega, pois passou agora a pôr em causa o bom nome da instituição e dos seus atletas”, avisou o clube do distrito de Coimbra.
Na sequência do incidente, o FC Alverca confirmou oficialmente a rescisão do contrato de Mateus Mendes, numa nota em que condenou os comportamentos registados no encontro frente ao Oliveira do Hospital. A SAD ribatejana pediu desculpas ao adversário e a todos os envolvidos na partida, bem como a toda a “família do futebol”.
Em comunicado, o Alverca defendeu que o combate à violência e à discriminação deve ser conduzido com firmeza, responsabilidade e através dos mecanismos institucionais adequados. “A defesa destes valores exige não só uma condenação clara de comportamentos inaceitáveis, mas também uma actuação responsável, que respeite os princípios, os procedimentos e as entidades competentes, contribuindo para um futebol mais justo, seguro e inclusivo”, acrescentou.

Sem jogar até 3 anos

Além da intervenção judicial, a agressão de um jogador no futebol nacional poderá ter consequências disciplinares no âmbito das competições organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol. Os regulamentos prevêm suspensões de 2 a 12 jogos e multas que podem chegar aos mil euros em caso de agressão física. Casos enquadrados de forma mais grave ou que causem lesões graves podem levar a suspensões de 2 meses a 3 anos e multas que podem rondar os dois mil euros.

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