Sociedade | 29-10-2026 15:00

Munícipe denuncia sinais de poluição nas linhas de água do Cartaxo e critica estado do Parque de Santa Eulália

Munícipe denuncia sinais de poluição nas linhas de água do Cartaxo e critica estado do Parque de Santa Eulália
A recuperação da qualidade da água exige intervenções adicionais na rede de saneamento - foto O MIRANTE

Manuel Carvalho percorreu vários pontos da cidade com O MIRANTE para mostrar o que considera ser falta de limpeza e manutenção de linhas de água e valetas. O presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, reconhece a existência de descargas de origem desconhecida, mas garante que são feitas limpezas periódicas.

Manuel Carvalho, residente há 25 anos na Ribeira do Cartaxo, está preocupado com o estado de várias linhas de água do concelho e com aquilo que considera ser a falta de manutenção do Parque de Santa Eulália. O munícipe acompanhou O MIRANTE numa visita a diferentes locais da cidade, onde apontou sinais de poluição, acumulação de resíduos e excesso de vegetação que, no seu entender, podem comprometer o escoamento das águas em períodos de chuva intensa. Na Rua da Fonte, na Ribeira do Cartaxo, mostrou uma linha de água com aparentes sinais de contaminação, situação que associa a possíveis descargas de explorações pecuárias e outras actividades. Na zona da Ponte da Ribeira do Algar identificou resíduos e maus cheiros que considera indícios de poluição. Já na Rua da Ponte, nas traseiras de um supermercado e da empresa De Heus – Nutrição Animal, alertou para o crescimento de canas e vegetação numa valeta de drenagem de águas pluviais.
As preocupações estendem-se à Quinta das Correias, onde Manuel Carvalho voltou a apontar sinais de poluição numa linha de água. Durante a visita, uma moradora alertou também para a acumulação de terra e brita junto a uma vala, em frente ao antigo Hotel Quinta das Pratas, alegadamente provenientes de obras nas imediações. O MIRANTE confirmou a presença dos materiais, que se encontram junto à vala e poderão acabar por cair para o seu interior. O munícipe defende uma fiscalização mais apertada e intervenções regulares, considerando que a limpeza esporádica permite a acumulação de resíduos que acabam por ser arrastados pelas enxurradas.

Câmara admite descargas ilegais
Contactado por O MIRANTE, o presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, reconheceu que existem episódios de descargas de origem desconhecida em algumas linhas de água, mas afirmou que ainda não foi possível identificar os responsáveis ou estabelecer um padrão para essas ocorrências. O autarca garante que o município acompanha as situações suspeitas e comunica os problemas à Cartágua ou a outras entidades competentes. Quanto à vegetação, explica que a sua remoção total não é aconselhável, uma vez que também desempenha um papel importante na estabilização das margens e no equilíbrio natural dos cursos de água. Admite, contudo, que possam existir troços com vegetação excessiva ou limpezas em atraso. “Pode haver mais canas ou vegetação, mas vamos limpando periodicamente”, assegura, acrescentando que a prioridade é garantir o funcionamento dos sistemas de drenagem e estar atento a eventuais descargas ilegais.

Parque de Santa Eulália vai ter estruturas recuperadas
Outra das preocupações de Manuel Carvalho é o estado do Parque de Santa Eulália, que considera estar “ao abandono” e mal aproveitado. O morador recorda que o espaço já teve um bar e outras estruturas de apoio, defendendo que deveria oferecer melhores condições de utilização e uma manutenção mais frequente. João Heitor rejeita a ideia de abandono, garantindo que o parque está actualmente cuidado, seguro e acessível à população. Reconhece, no entanto, que o espaço tem potencial para ser mais valorizado e revela que existe um projecto de requalificação. A intervenção deverá contemplar a recuperação das estruturas de apoio e do parque infantil, entretanto retirado devido a actos de vandalismo. Actualmente, o parque não dispõe de instalações sanitárias nem de café para os visitantes. O presidente da câmara sublinha que a intenção não é transformar profundamente o espaço, mas melhorar as condições de utilização, preservando as árvores, as zonas de sombra e o carácter natural do parque. “O que é certo é que o que lá está, está seguro e está cuidado, que era aquilo que não estava quando nós chegámos ao executivo”, afirma.

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