Sociedade | 30-10-2026 18:00

Falta de saneamento básico volta a gerar polémica no Cartaxo

esgotos tampa esgoto
foto ilustrativa

Vereadora denuncia situações de famílias que pagam taxa de saneamento, mas continuam dependentes de fossas. Presidente da Câmara do Cartaxo reconhece falhas na frequência das limpezas e defende o alargamento da rede pública, embora admita dificuldades em chegar a todo o concelho.

Os problemas de saneamento básico no concelho do Cartaxo voltaram a gerar debate na reunião de câmara de 15 de Outubro, depois da vereadora do Chega, Luísa Areosa, ter denunciado situações de munícipes que continuam dependentes de fossas e queixam-se de pagar uma taxa de saneamento sem beneficiarem de um serviço adequado. A autarca criticou a falta de soluções para um problema que considera antigo e que afecta sobretudo as populações mais afastadas dos principais aglomerados urbanos. Luísa Areosa defendeu que o executivo deve procurar alternativas às medidas actualmente em vigor, considerando que a revisão das regras de limpeza de fossas, realizada em 2024, não resolveu as dificuldades sentidas pelas famílias. “Este problema tem sido arrastado já há muito tempo e não estamos a ver resolução para este problema por parte do executivo”, afirmou. A vereadora alertou ainda para o que considera ser uma situação de desigualdade territorial. “As pessoas que estão longe são as pessoas que são penalizadas porque, além de estarem mais isoladas, ainda têm mais este factor de desigualdade, que é pagarem taxa de saneamento básico e não usufruírem dele”, criticou.
O presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, rejeitou a ideia de que os munícipes paguem por um serviço que não recebem. O autarca explicou que todas as habitações são obrigadas a dispor de um sistema de saneamento, seja através da ligação à rede pública ou da utilização de fossas. Nestes últimos casos, a taxa paga pelos consumidores inclui o serviço de limpeza assegurado pela Cartágua, empresa concessionária, cuja periodicidade depende do consumo de água de cada habitação. “Dizer que as pessoas pagam taxa de saneamento e não usufruem, não é verdade”, afirmou João Heitor, reconhecendo, no entanto, que o modelo existente apresenta limitações. O presidente admitiu que há situações em que a frequência da limpeza das fossas é “claramente insuficiente” para responder às necessidades das famílias. João Heitor recordou que a concessão do serviço à Cartágua atribuiu à empresa responsabilidades e obrigações que não dependem directamente da autarquia. Ainda assim, garantiu que o município pretende contribuir para encontrar soluções e avançar com o alargamento da rede pública de saneamento. O presidente reconheceu que existem zonas do concelho onde o crescimento populacional já justifica esse investimento, embora tenha admitido que será difícil garantir a cobertura integral do território. “O nosso objectivo é que a rede possa ser alargada. Sabemos que será difícil chegar a todo o lado, mas há de facto locais onde a densidade populacional já o justifica, e não é de agora”, sublinhou.

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