Há localidades da região onde as árvores ocupam apenas 1% da área urbana
Estudo revela que as freguesias de Almeirim e de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa apresentam os valores mais baixos de cobertura arbórea urbana da região, com apenas 1%, seguindo-se as de Benavente, Samora Correia, Arruda dos Vinhos e Carregado, com 2%. Em Azambuja, onde a percentagem é de 4%, o problema chegou à assembleia municipal, com o presidente da junta a reclamar um plano de arborização.
As freguesias de Almeirim e de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, no concelho de Vila Franca de Xira, apresentam os valores mais baixos de cobertura arbórea em território da área de abrangência de O MIRANTE identificadas no Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas. A realidade não é muito diferente em Benavente, Samora Correia, Arruda dos Vinhos e Carregado e Cadafais, onde apenas 2% das áreas de ecossistema urbano estão cobertas por árvores. Os números revelam a reduzida arborização de várias vilas e cidades da região, numa altura em que as ondas de calor tornam cada vez mais importante a existência de zonas de sombra.
Azambuja é outro dos casos que merece destaque pela negativa. Na freguesia que dá nome ao concelho, apenas 4% da área de ecossistema urbano está coberta por árvores, correspondendo a 11 hectares num total de 300 hectares analisados. O assunto está a preocupar os autarcas e foi discutido na última sessão da assembleia municipal, com o presidente da Junta de Azambuja, André Salema, a reclamar a elaboração de um plano municipal de arborização. O vice-presidente da câmara, António José Matos, chamou a atenção para as dificuldades de gestão do arvoredo e lembrou que também há munícipes que pedem o corte de árvores. Adiantou ainda que desde Junho que as bibliotecas e o museu municipais estão disponíveis como refúgios climáticos, permitindo que a população procure abrigo durante os períodos de temperaturas elevadas.
Os dados divulgados neste artigo constam do Programa de Acção para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas (PRO NAT.URBE), aprovado pelo Governo através de despacho publicado em Diário da República a 21 de Setembro de 2026. O documento estabelece uma estratégia de intervenção até 2035 para aumentar a presença de vegetação nas localidades, recuperar espaços verdes e melhorar a capacidade de resposta às alterações climáticas, baseando-se num levantamento que identifica áreas urbanas com valores críticos de cobertura arbórea.
Corbertura arbórea não ultrapassa os 10% em localidades da região
Na freguesia de Almeirim, dos 500 hectares de ecossistema urbano identificados, apenas cerca de 1% (6ha) está coberto por árvores. A mesma percentagem é registada na União de Freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, no concelho de Vila Franca de Xira. Nas freguesias de Benavente e Samora Correia a cobertura arbórea não ultrapassa os 2%, valor idêntico ao registado em Arruda dos Vinhos, Carregado e Cadafais, no concelho de Alenquer, e Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras, no concelho de Vila Franca de Xira.
A freguesia de Vialonga apresenta 3%, enquanto Azambuja surge com 4% e Riachos, no concelho de Torres Novas, com 5%. No Cartaxo, as freguesias de Cartaxo e Vale da Pinta e de Vila Chã de Ourique registam ambas 6%, a mesma percentagem identificada nas duas freguesias do Entroncamento, Nossa Senhora de Fátima e São João Baptista. Também Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz apresentam 6%, enquanto Alverca do Ribatejo e Sobralinho atingem 7%. Na União de Freguesias da Cidade de Santarém o valor sobe para 9% e na União de Freguesias de Torres Novas, assim como nas freguesias de Vila Nova da Barquinha e Vila Franca de Xira chega aos 10%.
Os números revelam diferenças significativas entre localidades e até dentro do mesmo concelho, como acontece em Vila Franca de Xira, onde a cobertura arbórea varia entre 1% na Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa e 10% na freguesia de Vila Franca de Xira. Em contraste com os valores reduzidos registados em várias localidades do Ribatejo, o levantamento do Governo identifica freguesias do Norte do país com percentagens de cobertura arbórea urbana bastante superiores. São exemplo: Vairão, no concelho de Vila do Conde, com 19%, enquanto Fornelos, em Barcelos, regista 18%.
Quando há árvores para plantar mas os meios falham
O presidente da junta de Azambuja sublinhou que os benefícios da arborização para o ambiente e para a saúde pública estão cientificamente demonstrados e considerou que a plantação de árvores não pode ficar dependente de iniciativas pontuais. E revelou que um particular ofereceu árvores à junta e que algumas foram plantadas na zona do Palácio das Obras Novas, mas que outras continuam por plantar devido a uma avaria no tractor, que tem dificultado os trabalhos. André Salema lamentou, nesse sentido, que problemas operacionais condicionem intervenções necessárias para melhorar os espaços públicos.


