Sociedade | 31-10-2026 10:00

Assaltos e ameaças inquietam moradores do Rebocho

Assaltos e ameaças inquietam moradores do Rebocho
A António Ribeiro e Silva levaram-lhe tudo de casa há um ano. Autoridades arquivaram caso por falta de provas. - foto O MIRANTE

Aos 78 anos, António Ribeiro e Silva diz viver com medo numa localidade onde procurou tranquilidade para a reforma. Denuncia a falta de meios policiais e garante que os episódios de criminalidade se têm agravado. A situação chegou à reunião da Câmara de Coruche, com o presidente a prometer insistir junto da GNR no reforço da vigilância.

António Ribeiro e Silva mudou-se para o Rebocho, no concelho de Coruche, à procura do sossego que não encontrava nos centros urbanos. Depois de uma vida profissional de 40 anos, grande parte dela passada em Lisboa, queria desfrutar da reforma num ambiente tranquilo, ao lado da mulher, que passou a depender de uma cadeira de rodas depois de um AVC. O que encontrou, garante, foi uma realidade bem diferente. Há cerca de um ano, a sua habitação foi assaltada e, desde então, os episódios de insegurança tornaram-se uma preocupação constante.
“Levaram-me tudo da casa, deixaram cama e frigorífico porque não cabia pela janela”, contou o reformado durante a reunião do executivo da Câmara de Coruche. Entre os bens furtados estavam electrodomésticos, mobiliário e outros objectos pessoais. O caso foi participado à GNR, mas António Ribeiro e Silva afirma que, há cerca de dois ou três meses, recebeu a informação de que o processo tinha sido arquivado por falta de provas.
Em declarações a O MIRANTE, o morador explica que a situação se agravou depois do assalto, ocorrido em 2025. “A partir daí nunca mais houve sossego”, lamenta, relatando episódios de intimidação junto à sua propriedade, situada nas imediações do campo de futebol do Rebocho.
Antigo gestor de marketing em várias multinacionais, assegura que há indivíduos que param as viaturas em frente à propriedade, aceleram os motores e adoptam comportamentos que considera ameaçadores. Relata igualmente situações em que terão sido efectuados disparos para o ar. Garante que chama e faz denúncia às autoridades, mas que a resposta recebida da GNR tem sido a falta de meios disponíveis.
Além do assalto à habitação, António Ribeiro e Silva relata furtos de combustível de um tractor e de um moto-quatro, bem como danos nos equipamentos de segurança que instalou. Segundo o morador, algumas câmaras de vigilância foram arrancadas e os projectores de iluminação danificados.

Moradores ponderam criar grupos de vigilância
O problema, assegura António Ribeiro e Silva, não se limita à sua propriedade. O reformado integra um grupo de moradores do Rebocho que partilha preocupações relacionadas com a segurança e afirma que os assaltos se têm sucedido nas últimas semanas. Em declarações a O MIRANTE, refere que, num período de cerca de duas semanas, terão ocorrido seis assaltos a propriedades diferentes. Perante aquilo que considera ser uma resposta insuficiente das forças de segurança, António Ribeiro e Silva revela que alguns habitantes têm discutido a possibilidade de criar grupos de vigilância.
Na reunião de câmara, sugeriu o reforço da vigilância nos acessos ao Rebocho, admitindo a possibilidade de instalar equipamentos de videovigilância que contribuam para dissuadir comportamentos criminosos. A sua intervenção foi feita também em nome de outros habitantes que, segundo explicou, não conseguiram estar presentes na reunião.

Câmara reconhece preocupação mas aponta redução da criminalidade
O problema da segurança nas aldeias rurais foi também levantado pelo vereador Francisco Gaspar, do PSD, durante a reunião do executivo. O autarca alertou para a existência de roubos em armazéns, anexos e outras propriedades, referindo particularmente a situação do Rebocho. Considerou preocupante que, perante pedidos de intervenção, a população receba respostas relacionadas com a indisponibilidade de patrulhas, alegadamente por as viaturas da GNR se encontrarem noutros concelhos. O vereador do PSD defendeu que a câmara deve intervir junto do comando da GNR para exigir o reforço de militares e uma maior presença policial nas aldeias, considerando essencial garantir um policiamento de proximidade.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), reconheceu as preocupações e garantiu que tem insistido regularmente na necessidade de reforçar os meios no concelho. Revelou, contudo, que, segundo informações transmitidas pelo comando da GNR numa reunião recente, os registos de criminalidade no concelho apresentavam uma redução. Não foram indicados números que permitissem avaliar a evolução das ocorrências ou a situação específica do Rebocho.
Perante o testemunho de António Ribeiro e Silva, o presidente comprometeu-se a solicitar uma nova audiência ao comando da GNR, para transmitir as preocupações dos moradores e defender uma presença policial mais regular na localidade. O objectivo, explicou, passa sobretudo por reforçar o efeito dissuasor do patrulhamento e devolver tranquilidade à população.

De Malhada Alta para o Rebocho à procura de tranquilidade

A relação de António Ribeiro e Silva com o concelho de Coruche já tinha sido notícia em O MIRANTE, em Agosto de 2021. Na altura, o reformado, que morava no Montijo, tinha adquirido uma habitação em Malhada Alta, mas deparou-se com graves dificuldades de acesso às telecomunicações, situação que comprometia o acompanhamento médico da mulher, nomeadamente através de teleconsultas.
Acabou por procurar outra solução habitacional e encontrou no Rebocho as condições de comunicação de que necessitava. Para concretizar a mudança, afirma ter vendido a anterior habitação por um valor bastante inferior ao que tinha pago. Depois de resolver o problema das telecomunicações, esperava finalmente encontrar a estabilidade desejada.

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