Sociedade | 31-10-2026 15:00

Bombeiros de Alverca removem autocolantes associados a grupos neonazis após denúncia

Bombeiros de Alverca removem autocolantes associados a grupos neonazis após denúncia
Um dos cacifos apresentava vários autocolantes alusivos a um movimento considerado como estando ligado a movimentos de extrema direita e neo-nazis - foto DR

Queixa apresentada por morador fala em símbolos do Grupo 1143, mensagens ultranacionalistas e a inscrição «Portugal aos verdadeiros Portugueses» em cacifos do quartel dos Bombeiros Voluntários de Alverca. Associação já veio garantir que não tolera racismo ou xenofobia e diz que os autocolantes já foram removidos.

A associação dos Bombeiros Voluntários de Alverca do Ribatejo ordenou a retirada de autocolantes, em cacifos de operacionais, associados a grupos de extrema-direita, incluindo referências de cariz neonazi, após receber uma denúncia. A situação foi revelada por Jorge Cartucho na sequência da iniciativa “Quartel Aberto”, realizada no dia 18 de Outubro, onde a população foi convidada a visitar o espaço.
Na exposição enviada à associação, e a O MIRANTE, o denunciante relata ter recebido fotografias que mostram vários autocolantes na porta de um cacifo. Entre os elementos visíveis, destaca dois autocolantes atribuídos ao Grupo 1143, que identifica como um grupo criminoso, neonazi e violento, além de outros autocolantes de cariz ultranacionalista e alusivos a claques de futebol. A denúncia refere ainda a existência, noutro cacifo, de um autocolante com a inscrição “Portugal aos verdadeiros Portugueses”.
Na queixa, Jorge Cartucho considera preocupante a presença de símbolos desta natureza nas instalações de uma corporação de bombeiros, cuja missão passa pela prestação de socorro à população sem distinção de origem, etnia, nacionalidade ou condição social. O denunciante questiona se a presença dos autocolantes seria conhecida pelos restantes bombeiros, pelas chefias e pelo comando, e se existiria alguma tolerância relativamente às mensagens neles representadas.
O autor da denúncia levantou igualmente questões sobre o impacto que a situação poderá ter tido nos bombeiros pertencentes a minorias étnicas, nomeadamente colegas negros, bem como na percepção dos cidadãos que visitaram o quartel durante a iniciativa “Quartel Aberto”.

Associação alega desconhecimento e não tolera discriminações

A polémica levou a instituição a emitir uma resposta assinada em conjunto pelo comando e pela direcção, rejeitando que a situação represente o ambiente vivido na instituição ou os princípios pelos quais a corporação se rege. “Os Bombeiros Voluntários de Alverca do Ribatejo pautam a sua actuação pelos princípios da solidariedade, da igualdade, do respeito pela dignidade humana e da prestação de socorro a todos os cidadãos, sem qualquer distinção de origem, etnia, nacionalidade, religião ou condição social”, afirmam os responsáveis.
Relativamente aos autocolantes identificados na denúncia, os responsáveis esclarecem que, até à recepção da comunicação, não se tinham apercebido da sua existência. A associação considera necessário distinguir a existência de elementos afixados num espaço individual da eventual aceitação ou validação dos mesmos pela instituição. E sustenta que não é legítimo presumir, com base nesse facto, a concordância dos restantes bombeiros, da direcção ou do comando. A associação confirma que os autocolantes foram retirados depois de ter tomado conhecimento da situação.
A associação considera particularmente graves as afirmações que questionam a isenção dos bombeiros, sugerem uma eventual conivência das chefias com ideias extremistas ou levantam dúvidas sobre a capacidade dos elementos da corporação para socorrer cidadãos pertencentes a minorias étnicas. Os Bombeiros de Alverca reiteram que não toleram a discriminação e que a sua missão humanitária não admite distinções entre as pessoas a quem prestam auxílio.

Nota Editorial

A direcção e o comando dos Bombeiros de Alverca enviaram ao nosso jornal um email em que se mostram indignados com esta notícia publicada inicialmente em O MIRANTE Online, repudiando o que classificaram como um alegado ataque a 100 anos de história da associação humanitária. A reacção à notícia, que os dirigentes da corporação não autorizam que seja divulgada, não tem sentido, atendendo a que foi a própria corporação que acabou por dar azo a que as questões relacionadas com neonazismo no quartel se tornassem públicas. Respeitando a exigência de não divulgarmos o conteúdo dessa indignação, privilegiando a ética que nos orienta, não podemos, atendendo ao papel que O MIRANTE representa nas comunidades e no garante das liberdades de imprensa e de expressão, deixar de informar os leitores que a notícia tem como base o comunicado oficial que a própria associação enviou para a redacção de O MIRANTE e de outros órgãos de comunicação social. Foi esse documento, assumido pela instituição, enviado para outras redacções e instituições, como câmara municipal, partidos políticos, que fundamentou a peça jornalística. Quando uma entidade emite um comunicado, está a exercer a sua posição oficial sobre um assunto. É isso que os jornais noticiam.

António Palmeiro

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