Sociedade | 31-10-2026 18:00

Falta de trabalhadores e dirigentes ameaça sobrevivência de instituições sociais no distrito de Santarém

Falta de trabalhadores e dirigentes ameaça sobrevivência de instituições sociais no distrito de Santarém
foto Canva

Escassez de profissionais e de pessoas disponíveis para assumir a direcção das instituições está a colocar em risco várias respostas sociais no distrito de Santarém. A União Distrital das IPSS alerta para possíveis encerramentos, sobretudo nas zonas rurais, onde a falta de alternativas pode deixar populações inteiras sem apoio.

A falta de trabalhadores já é um problema mais grave do que as dificuldades financeiras para muitas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do distrito de Santarém. O alerta é do presidente da União Distrital das IPSS (UDIPSS), Luís Jacob, que admite o encerramento de instituições e respostas sociais caso não sejam encontradas soluções. “Problemas financeiros sempre tivemos, neste momento a falta de pessoal é mais grave”, afirmou à Lusa o dirigente, a propósito dos 25 anos da organização, que representa cerca de 200 instituições nos 21 concelhos do distrito.
A dificuldade em contratar enfermeiros, educadores de infância, técnicos especializados e auxiliares pode mesmo impedir algumas instituições de cumprir os requisitos legais de funcionamento. A situação agrava-se com a falta de voluntários disponíveis para integrar os órgãos dirigentes das IPSS. As instituições mais pequenas, sobretudo as que asseguram centros de dia e apoio domiciliário em territórios rurais, estão entre as mais vulneráveis. O reduzido número de utentes e o aumento dos custos com salários, alimentação, energia e transportes comprometem a sustentabilidade financeira.
Luís Jacob admite que possam ocorrer fusões ou encerramentos e alerta para as consequências sociais. “O encerramento de uma resposta social, sobretudo num território rural, não representa apenas a perda de um serviço. Pode significar que uma comunidade inteira fica sem alternativas”, sublinha. O dirigente defende que o financiamento público assegure pelo menos metade dos custos técnicos das respostas sociais e tenha em conta a dependência dos utentes e as particularidades dos territórios. Nos lares, o custo mensal por idoso pode ultrapassar os 1.500 euros, um encargo incomportável para muitas famílias. A UDIPSS iniciou as comemorações dos 25 anos a 27 de Outubro, com uma gala no Cine-Teatro de Almeirim, onde serão distinguidas instituições, dirigentes, profissionais, voluntários e projectos sociais.

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