Sociedade | 01-11-2026 09:50

Dia de Todos os Santos: entre a memória dos que partiram e as tradições que resistem ao tempo

Dia de Todos os Santos: entre a memória dos que partiram e as tradições que resistem ao tempo
Em Vargos, Torres Novas, uma aldeia com pouco mais de 30 habitantes permanentes volta a encher-se no Dia de Todos os Santos

Das crianças que pediam o bolinho de porta em porta às famílias que passam o dia nos cemitérios, o Dia de Todos os Santos continua a marcar a identidade das comunidades ribatejanas. Ao longo da última década, O MIRANTE acompanhou histórias de fé, saudade e partilha que mostram como as tradições se transformam, mas também como algumas resistem ao passar das gerações.

No Dia de Todos os Santos, celebrado a 1 de Novembro, as aldeias e vilas da região voltam a recordar costumes que fizeram parte da infância de várias gerações. O MIRANTE tem acompanhado essas memórias, entre cemitérios floridos, broas acabadas de fazer e crianças que ainda pedem o tradicional Pão por Deus. Em 2018, uma reportagem na Chamusca mostrou a importância desta data para a comunidade cigana, cujas famílias permaneciam durante horas junto às campas dos familiares. Alguns recordavam tempos em que se almoçava no próprio cemitério, numa demonstração de respeito pelos antepassados e de ligação aos que partiram.
Já em 2023, O MIRANTE recuperou uma reportagem realizada em 2014, em Casal dos Bernardos, no concelho de Ourém, onde as crianças percorriam as ruas a pedir bolinhos. Uma tradição cada vez menos frequente, com as broas, frutos secos e romãs a darem lugar a rebuçados e chocolates. Em Vargos, no concelho de Torres Novas, a tradição ganhou outra dimensão. Uma reportagem de 2025 mostrou como uma aldeia com pouco mais de 30 habitantes permanentes volta a encher-se no Dia de Todos os Santos. Antigos moradores regressam às origens, abrem-se portas e partilham-se bolinhos, vinho e histórias. Este ano, na Chamusca, foram os seniores e as crianças que meteram as mãos na massa para confeccionar broas, numa iniciativa que aproximou gerações e demonstrou que preservar tradições também passa por ensiná-las aos mais novos.
O Dia de Todos os Santos continua a ser uma celebração da memória colectiva e das raízes de comunidades que resistem ao esquecimento.

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