Jovens trabalham e fazem sacrifícios mas o preço das casas condiciona-lhes o futuro
Aos 26 anos, Eunice Mineiro trabalha a tempo inteiro, vive sozinha e teme perder a independência por não conseguir pagar uma renda mais elevada. Eunice Alcobio, de 25 anos, acumula dois empregos e continua em casa dos pais para conseguir poupar. Duas realidades que mostram como os baixos rendimentos face ao custo da habitação condicionam o futuro dos jovens. No Dia Mundial da Poupança, O MIRANTE ouviu estas duas jovens para quem guardar dinheiro exige disciplina, sacrifícios e escolhas difíceis.
Para uns, poupar significa abdicar de sair com os amigos ou contar os euros até ao final do mês. Para outros, implica trabalhar mais horas e adiar a saída de casa dos pais. Eunice Mineiro e Eunice Alcobio têm percursos diferentes, mas partilham a preocupação com um futuro em que trabalhar já não é garantia de independência financeira. A habitação é o maior obstáculo e a poupança, tantas vezes apontada como solução, depende de uma margem que nem todos conseguem ter.
Eunice Mineiro, de 26 anos, trabalha há oito na Rádio Popular e vive há quatro num pequeno T0, pelo qual paga 320 euros mensais. Foi ali que conquistou a independência e a tranquilidade de ter um espaço só seu. Mas a senhoria pretende vender o imóvel e deu-lhe até Fevereiro para encontrar outra casa. A jovem agradece o prazo, mas a procura tem sido desanimadora. Os apartamentos T1 que encontra rondam os 600 euros, sem despesas incluídas. “As rendas estão todas pela hora da morte”, desabafa.
Eunice Alcobio, de 25 anos, conhece o mesmo mercado, mas de outra perspectiva. Licenciada em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional, trabalha há cinco anos num hipermercado e entrou há um ano e quatro meses no sector imobiliário. Tem contrato efectivo, acumula dois empregos e continua a viver com os pais. Uma opção que lhe permite poupar e preparar o futuro sem a pressão imediata de suportar uma renda. “Considero que os preços elevados não estão de acordo com os salários dos jovens”, afirma.
Jovens portugueses só deixam casa dos pais perto dos 29 anos
Os jovens portugueses continuam entre os europeus que mais tarde conquistam a independência habitacional. Segundo os dados de 2025 do Eurostat, divulgados em Setembro de 2026, a idade média de saída de casa dos pais em Portugal situa-se nos 28,8 anos, mais dois anos e meio do que a média da União Europeia. O país apresenta um dos valores mais elevados entre os 27 Estados-membros.
A dificuldade em suportar os encargos com a habitação é um problema que afecta particularmente as gerações mais novas. Em 2025, cerca de 9,1% dos jovens europeus entre os 15 e os 29 anos viviam em agregados familiares que gastavam pelo menos 40% do rendimento disponível com a habitação. Na população em geral, essa proporção era de 7,7%.
*Artigo completo na próxima edição semanal de O MIRANTE.


