Câmara paga renda por edifício da Misericórdia de Coruche que continua sem utilização
O antigo centro de dia, que acolheu temporariamente a GNR, foi escolhido para instalar serviços municipais durante as obras nos Paços do Concelho.
A Câmara de Coruche está a ser criticada por manter o arrendamento de um edifício da Misericórdia de Coruche, com uma renda mensal de 1.200 euros, sem que o espaço esteja a ser utilizado para os fins que justificaram a renovação do contrato. O assunto foi levantado em reunião do executivo, com os vereadores Dionísio Mendes (Volta Coruche/25) e Francisco Gaspar (PSD) a questionarem a necessidade de manter o imóvel arrendado sem uma utilização efectiva.
Em causa está o edifício onde funcionou o Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia de Coruche e que, posteriormente, acolheu as instalações provisórias da GNR durante as obras de requalificação do posto. No início do ano, a autarquia decidiu renovar o contrato de arrendamento, justificando a decisão com a necessidade de transferir trabalhadores e serviços municipais enquanto decorressem as obras nos Paços do Concelho.
Dionísio Mendes recordou que a renovação foi apresentada pelo presidente da câmara como uma decisão urgente. Contudo, segundo o vereador do movimento Volta Coruche/25, as obras no edifício dos Paços do Concelho apenas começaram em Agosto e, passados vários meses, o imóvel da Misericórdia continua sem receber os serviços municipais previstos.
O vereador lembrou que já tinha denunciado a situação numa reunião anterior, referindo nessa altura que o edifício permanecia desocupado e com a iluminação ligada durante todo o dia. Um mês depois, constatou que as luzes tinham sido apagadas, mas a utilização do espaço continuava por concretizar. Dionísio Mendes considerou que a situação representa uma má gestão dos recursos públicos, questionando onde estão actualmente instalados os trabalhadores que tiveram de abandonar os Paços do Concelho e por que motivo não foi ainda concretizada a transferência para o edifício arrendado. Também Francisco Gaspar, vereador do PSD, contestou o pagamento de uma renda mensal de 1.200 euros por um imóvel que ainda não está a ser utilizado, pedindo explicações ao presidente da câmara.
O presidente, Nuno Azevedo (PS), explicou que a autarquia continua a contar com o edifício da Misericórdia para instalar um conjunto de serviços, mas que são necessárias intervenções no interior do imóvel para aumentar a sua capacidade. Segundo o presidente, a câmara pretende criar novos gabinetes e instalar divisórias em pladur, de modo a acomodar o maior número possível de serviços. Para concretizar essas alterações, será necessário desenvolver um procedimento destinado à execução dos trabalhos. Nuno Azevedo não adiantou, contudo, uma data para o início da utilização do edifício, nem esclareceu os custos previstos para as adaptações ou quais os serviços que serão transferidos. A manutenção do arrendamento levanta ainda outra questão, relacionada com a finalidade original do imóvel. Dionísio Mendes defendeu que o espaço deveria voltar a funcionar como centro de dia, considerando que essa resposta social faz falta na freguesia de Coruche.


