Escola Secundária de Alcanena renovada com investimento de 6,7 milhões e ambição de alargar oferta formativa
Depois de dois anos de obras e de um período marcado por dificuldades no funcionamento das aulas, a Escola Secundária de Alcanena inaugurou instalações renovadas e prepara-se para uma nova etapa. A direcção quer aproveitar o investimento tecnológico para avançar com cursos de nível 5 e o município ambiciona criar o primeiro agrupamento público do país com ensino bilingue certificado internacionalmente.
A Escola Secundária de Alcanena tem instalações renovadas, equipamentos tecnológicos de última geração e ambições que vão além da modernização dos edifícios. A requalificação, num investimento superior a 6,7 milhões de euros, foi inaugurada a 21 de Outubro, numa cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo. Depois de dois anos de obras, a comunidade escolar recuperou espaços fundamentais para o ensino e prepara-se agora para tirar partido das novas condições, com a direcção a apontar à criação de cursos de nível 5 e ao reforço da ligação às empresas da região. A empreitada, financiada maioritariamente pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), abrangeu dez edifícios e incluiu a construção de um novo bloco, a renovação de salas de aula, biblioteca, auditório e instalações desportivas, além da modernização de dois Centros Tecnológicos Especializados (CTE). Foi uma das maiores intervenções municipais realizadas em Alcanena.
A inauguração assinalou também o fim de um período exigente para alunos, professores e funcionários. Em declarações a O MIRANTE, a directora do Agrupamento de Escolas de Alcanena, Ana Cláudia Cohen, reconheceu que a espera pelas novas instalações foi “muito difícil”. Durante cerca de um ano e meio, a escola funcionou sem laboratórios e biblioteca, obrigando a comunidade educativa a encontrar alternativas para assegurar a continuidade das aprendizagens. Apesar dos constrangimentos, os resultados dos exames nacionais de 2026 ficaram, segundo a responsável, acima da média nacional na maioria das disciplinas. A directora sublinhou que a escola não deixou que as limitações físicas condicionassem a sua aposta na inovação pedagógica. “Escolhemos não ficar à espera de melhores condições para agir. Escolhemos a inovação, o trabalho colaborativo e a procura de respostas que permitam a cada aluno encontrar o seu lugar e desenvolver o seu potencial”, afirmou.
Entre os projectos desenvolvidos destaca-se o Projecto-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP), iniciativa do Ministério da Educação que permite flexibilizar os processos de aprendizagem e experimentar metodologias mais ajustadas aos ritmos e necessidades dos alunos. Uma experiência que mereceu particular atenção de Alexandre Homem Cristo, que considerou o trabalho realizado em Alcanena relevante para a reflexão que o Governo está a desenvolver sobre o futuro do ensino. O secretário de Estado explicou que está em curso uma revisão das aprendizagens essenciais e da matriz curricular, procurando dar maior profundidade aos conteúdos e reduzir a dispersão das matérias. Defendeu que a melhoria das condições físicas das escolas é indispensável, mas não chega, por si só, para garantir melhores aprendizagens. A organização do ensino e as práticas pedagógicas são igualmente determinantes. Também o presidente da Câmara de Alcanena aproveitou a inauguração para apresentar uma visão mais abrangente para o futuro da educação no concelho. Rui Anastácio defendeu que os estabelecimentos escolares devem transformar-se em equipamentos abertos à comunidade e funcionar como “refúgios bioclimáticos”, capazes de responder aos desafios ambientais.
Escola quer avançar com cursos de nível 5
A modernização dos Centros Tecnológicos Especializados da Escola Secundária de Alcanena abriu caminho a uma nova ambição: alargar a oferta formativa a cursos de nível 5, permitindo aos alunos prosseguir estudos de especialização técnica sem abandonar a região. Em declarações a O MIRANTE, a directora do agrupamento, Ana Cláudia Cohen, revelou que a escola dispõe agora de cerca de 1,7 milhões de euros em equipamentos tecnológicos renovados, distribuídos por áreas como logística, design de moda, design 3D e cozinha e restauração. A responsável considera que este investimento deve ser aproveitado para reforçar a ligação ao tecido empresarial e criar percursos de formação ajustados às necessidades do mercado de trabalho. O agrupamento pretende, por isso, apresentar uma candidatura para disponibilizar cursos de nível 5, dando continuidade à formação dos alunos que concluem o ensino secundário profissional.


