Estrada do Campo continua a somar queixas apesar das obras da Câmara de Benavente
A acumulação de água proveniente dos arrozais e as deficiências no escoamento estão, segundo um automobilista, a comprometer o estado da via que liga Benavente à Recta do Cabo. Jorge Tavares considera que os trabalhos de conservação realizados recentemente não resolveram os problemas e receia um agravamento da situação com a chegada da chuva.
A Estrada do Campo continua a ser motivo de preocupação para quem a utiliza regularmente. Jorge Tavares, residente em Samora Correia, conhece bem o percurso, que utiliza nas deslocações entre Lisboa, onde trabalha, e Marinhais, localidade onde a família tem uma quinta. Apesar das recentes intervenções da Câmara de Benavente, considera que a estrada permanece em mau estado e que os problemas poderão agravar-se com a chegada do Inverno.
O automobilista conta a O MIRANTE que, depois de ter tomado conhecimento dos trabalhos de conservação anunciados pela autarquia, verificou a existência de montes de tout-venant ao longo da via, embora não tenha presenciado a aplicação do material. O que encontrou posteriormente deixou-o insatisfeito com o resultado da intervenção, sobretudo devido à presença de água em vários pontos do pavimento, mesmo sem ter chovido.
Segundo Jorge Tavares, a situação estará relacionada com a circulação de água utilizada nos arrozais que ladeiam a estrada. O automobilista considera que as valetas não asseguram o devido escoamento, permitindo que a água proveniente dos campos agrícolas se acumule na faixa de rodagem e contribua para a degradação do pavimento. Acrescenta que chegou a encontrar zonas com uma acumulação de água que estima ter atingido dez centímetros de altura. Em alguns desses locais, garante, o alcatrão começou a levantar-se.
O munícipe assegura que contactou os serviços da Câmara de Benavente há mais de um mês para alertar para a situação. Na ocasião, foi-lhe transmitido que o problema seria comunicado internamente e que voltaria a ser contactado, mas, até à conversa com O MIRANTE, em finais de Outubro, não tinha recebido qualquer resposta.
Jorge Tavares considera que a Estrada do Campo poderia constituir uma alternativa interessante para muitos automobilistas, permitindo encurtar deslocações e evitar percursos mais longos pelas estradas nacionais. Contudo, entende que o mau estado do piso, a circulação de veículos pesados ligados à actividade agrícola e os problemas nas bermas acabam por afastar potenciais utilizadores.
Estrada alvo de queixas sucessivas
A Estrada Municipal 1456, conhecida como Estrada do Campo, tem sido alvo de sucessivas queixas relacionadas com o estado de conservação do pavimento e das bermas. Em Agosto, a Câmara de Benavente realizou trabalhos de reparação do piso e, entre os dias 19 e 21, procedeu à manutenção das bermas, numa altura de maior circulação de veículos pesados associados à actividade agrícola. Na ocasião, a autarquia reconheceu o desgaste acentuado da estrada, utilizada diariamente por tractores, máquinas agrícolas, camiões e veículos ligeiros.
O MIRANTE noticiou também o caso de José Carlos Nunes Fernandes, automobilista que reclamou uma indemnização pelos danos sofridos na sua viatura, depois de ter rebentado um pneu e danificado uma jante ao passar por um desnível entre o pavimento e a berma, a 27 de Maio. A seguradora da Câmara de Benavente recusou assumir a responsabilidade pelos prejuízos, depois de os serviços municipais terem considerado adequada a sinalização existente na estrada. Em Setembro, o condutor voltou a contactar O MIRANTE para esclarecer que não aceitava a decisão da seguradora e que pretendia continuar a contestá-la.


